Autor Tópico: A história da Formula 1 - Campeões do Mundo de Pilotos e de Construtores  (Lida 1092 vezes)

Offline ZeCarlos

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Re: A história da Formula 1 - Campeões do Mundo de Pilotos e de Construtores
« Responder #15 em: 19 de Abril de 2019, 15:01:59 »
Campeonato do Mundo de Pilotos – 1951

Juan Manuel Fangio foi o piloto mais rápido da Alfa Romeo ao longo de 1951, qualificando-se invariavelmente à frente do então Campeão do Mundo, Giuseppe Farina. Três vitórias em 8 provas, uma das quais quando recebeu o carro do Luigi Fagioli, foram suficientes para assegurar o Campeonato do Mundo de Pilotos de 1951. No entanto, o motor do Alfa 159, apesar do seu nível de desenvolvimento, consumia uma média de 147 litros de gasolina por cada 100 quilómetros percorridos, o que obrigava a duas ou mais paragens na box para conseguir completar a distancia de uma Grande Prémio.

Esperava-se forte concorrência por parte da Ferrari mas esta só se materializou na segunda metade da época. A primeira vitória da Ferrari numa prova de Formula 1 seria conquistada pelo José Froilan Gonzalez, o “Touro das Pampas” no GP de Inglaterra, com o primeiro piloto Alberto Ascari a vencer os subsequentes GP’s da Alemanha e de Itália.

Foram as primeiras derrotas infligidas à Alfa Romeo em cinco anos e colocaram os pilotos da Ferrari na corrida pelo campeonato. No entanto, uma incorreta escolha de pneus para o ultimo GP, em Espanha, permitiu a vitória do Fangio e, com ela, o seu primeiro título. Com os rivais a conquistarem cada vez maiores níveis de competitividade, a Alfa Romeo decidiu-se pela retirada da competição em Grandes Prémios em vez de se dedicar à construção e desenvolvimento de um carro completamente novo, condição necessária para se manter na frente. A Alfa só regressaria à Formula 1 em 1979 e o Alfa 160 com tração às quatro rodas e com o piloto sentado atrás do eixo traseiro nunca passaria de um único protótipo.


 
Sistema de pontuação

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Classificação Campeonato de Pilotos 1950
Juan Manuel Fangio- Alfa Romeo: 31 pts
Alberto Ascari- Ferrari: 25 pts
José Froilan Gonzalez- Ferrari: 24 pts

Um dos mais aguardados competidores oriundo de Inglaterra, os “supercharged” BRM P15 com os seu motores 1.5 V16 surgiriam no GP de Inglaterra desse ano. Era, então, o carro mais avançado para a sua época e deveria ter conseguido competir com os italianos mas,  apesar do 5º lugar alcançado pelo Reg Parnell em Silverstone, o carro foi dececionante e a equipa raramente conseguiu ser competitiva. Este falhanço, em conjunto com o abandono na Alfa levou a que a Formula 1 fosse eventualmente abandonada para a época seguinte.
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Offline ZeCarlos

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Re: A história da Formula 1 - Campeões do Mundo de Pilotos e de Construtores
« Responder #16 em: 19 de Abril de 2019, 15:02:55 »
Alfa Romeo 159 'Alfetta' - Alfa Romeo 1.5 L8C

Para 1951, a Alfa Romeo apresentou o 159 Alfetta, equipado com uma versão de 425 Cvs do supercharged 1.5 de 8 cilindros em linha e com um eixo traseiro DeDion. A potência extra foi conseguida à custa de um brutal consumo de combustível, obrigando os Alfas a paragens mais frequentes que os naturalmente aspirados Ferrari’s e Talbot Lago’s. A época começou com 3 vitórias para a Alfa Romeo mas, na quarta prova, a série de 26 vitórias consecutivas foi interrompida pelo Ferrari do Froilan Gonzalez. Outras duas vitórias de Ferrari levaram a decisão do campeonato para a ultima prova, onde a tal má escolha de pneus por parte da Ferrari permitiu à Alfa Romeo a conquista do seu 2º campeonato de pilotos e o primeiro de 5 para o Fangio.

Subsequentes alterações aos regulamentos para 1952 deixaram finalmente os Alfettas obsoletos. O pedido de apoio financeiro ao Estado italiano para o desenvolvimento de um substituto era demasiado elevado pelo que a Alfa retirou-se da categoria. Durante a sua carreira de 15 anos, o Alfa Romeo Alfetta conquistou 33 vitórias, 26 das quais consecutivas. A primeira vitória foi conquistada pelo italiano Emilio Volloresi na Coppa Ciano de 1938, enquanto o Juan Manuel Fangio pilotou pela ultima vez o 159 à vitória no obscuro GP de Merano de 1953 em Itália. Apesar do Alfetta de ter iniciado a sua carreira como uma “Voiturette”, conquistou o seu lugar na história como um dos melhores carros de GP alguma vez construídos.

Seis chassis 158 foram construídos em 1938 e foram usados em competição durante duas temporadas. Com a incorporação de uma série de modificações e desenvolvimento pela pena do Colombo, outros seis chassis foram construídos no inverno de 1939/1940, para além da inclusão do 2º supercharger e de uma nova carroçaria. Os novos chassis incluiram partes dos carros sobreviventes da primeira série, dado que é pouco provável que alguma vez tenham existido 12 158’s completos. Para 1951, quatro novos chassis com o eixo DeDion foram construídos e, para ajudar à confusão, todos os 158 sobreviventes foram renomeados de 159 mesmo que mantivessem as especificações de 1950. Hoje em dia existem dois 158 e três 159. Todos os três 159 são propriedade da Alfa Romeo  e, dos dois 158, um está exposto no museu Biscaretti e o outro é propriedade de um colecionador privado.

Alfa Romeo 159 'Alfetta' - Alfa Romeo 1.5 L8C
Juan Manuel Fangio

GP Bélgica 1951
Brumm R043 Update 2006


A miniatura é produzida pela Brumm e representa o monoposto nº2, do GP da Bélgica de 1951, disputado em Spa-Francorchamps, onde o Fangio foi o ultimo classificado, em 9º, a 4 voltas do vencedor, o companheiro de equipa Nino Farina. Seria usado também no GP da Inglaterra, em Silverstone, onde chegaria em 2º lugar.
Tal como o modelo de 1950, é uma miniatura com a típica qualidade Brumm, em metal e sem piloto. Não apresenta grande nível de detalhes mas tem os mesmos pormenores tais como as jantes raiadas (mas que os travões de tambores não permitem evidenciar) e a grelha frontal que não é desenhada mas sim em relevo.

































 

 

 







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Re: A história da Formula 1 - Campeões do Mundo de Pilotos e de Construtores
« Responder #17 em: 22 de Abril de 2019, 11:58:58 »
Siga para a próxima página da história da F1!

Offline ARC

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Re: A história da Formula 1 - Campeões do Mundo de Pilotos e de Construtores
« Responder #18 em: 22 de Abril de 2019, 17:01:09 »
Muito bom Zé, sempre a aprender!  [:happy14:]

Offline rsmodelcar

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Re: A história da Formula 1 - Campeões do Mundo de Pilotos e de Construtores
« Responder #19 em: 22 de Abril de 2019, 23:01:47 »
Impressionante o Alfa 160, que comprimento !
O pormenor do Fangio a conduzir em mangas de camisa, top.
Da miniatura não há muito mais a dizer. Como a Brumm anda numa de cuidar melhor alguns modelos, deveria dedicar-se aos primeiros F1s, considerar o piloto em resina (dá logo outro ar à coisa) e fazer uma pausa na produção das 3003 versões de alguns modelos altamente batidos.
Continua Zé, força  [:clap:]


Offline cds

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Re: A história da Formula 1 - Campeões do Mundo de Pilotos e de Construtores
« Responder #20 em: 23 de Abril de 2019, 16:23:34 »
Mais uma excelente historia [:happy72:]
Realmente é uma pena não haver outras marcas a pegar neste modelos, a Minichamps pelo menos este de 51 também lançou e sem piloto também.

Offline ZeCarlos

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Re: A história da Formula 1 - Campeões do Mundo de Pilotos e de Construtores
« Responder #21 em: 26 de Abril de 2019, 15:27:53 »
Campeonato do Mundo de Pilotos – 1952

Depois da conquista do segundo campeonato consecutivo em 1951, em vez de construir o novo carro necessário para competir com a Ferrari para 1952, a Alfa Romeo retirou-se da competição em GP’s. Com esta decisão, para além da Ferrari, apenas o dececionante projeto da BRM permanecia como um projeto de fábrica para competir no Campeonato de Formula 1 de 1952. No entanto, quando a BRM nem sequer compareceu no primeiro GP extra campeonato em Turino, o “Valentino Grand Prix”, os promotores do Campeonato do Mundo decidiram alterar os regulamentos para os dois anos seguintes ao invés de terem um campeonato com apenas uma equipa competitiva. Apesar de estas duas épocas terem acabado por ser um passeio para a Ferrari, a categoria beneficiou com a entrada de novas equipas, incluindo a Maserati, Gordini, HWM, ERA, Connaught e Cooper.

O primeiro piloto da Ferrari, Alberto Ascari, decidiu não participar na ronda inaugural do campeonato, na Suiça, optando por participar, sem sucesso, em Indianápolis. Na sua ausência, o colega de equipa Piero Taruffi venceu mas, daí em diante, o Ascari foi imbatível e assim permaneceu até julho de 1953.

A Maserati lançou o seu novo A6GCM e contratou o campeão em titulo, Juan Manuel Fangio, para liderar a equipa. No entanto, o Fangio ficaria de fora durante um ano após ter seriamente lesionado o pescoço num acidente numa prova extra campeonato em Monza. Ainda assim, a Maserati revelou-se cada vez mais competitiva, especialmente com a introdução de um motor modificado para o final da temporada, tendo o José Froilan Gonzalez demonstrado o seu potencial ao liderar as primeiras 36 voltas do GP de Itália.

Também novas estrelas britânicas despontaram em 1952. O Mike Hawthorn teve várias performances de registo ao volante de um Cooper-Bristol privado e o Stirling Moss fez a sua estreia aos comandos de um HWM em Bremgarten.

Sistema de pontuação

8 pts
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Classificação Campeonato de Pilotos 1952
Alberto Ascari- Ferrari: 36 pts
Nino Farina- Ferrari: 24 pts
Piero Taruffi- Ferrari: 22 pts
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Re: A história da Formula 1 - Campeões do Mundo de Pilotos e de Construtores
« Responder #22 em: 26 de Abril de 2019, 15:28:43 »
Com a iminente partida da Alfa Romeo da competição, a Formula 1 ficava desesperadamente curta de participantes para 1952. Com exceção da Ferrari, nenhum outro construtor queria, ou sequer podia, desenvolver maquinaria competitiva para a Formula 1. Todos estavam maioritariamente ocupados a reconstruir o negócio de “road cars” antes de sequer considerarem entrar no dispendioso campeonato de GP’s. No interregno, os promotores do Campeonato do Mundo decidiram manter o campeonato segundo os regulamentos técnicos da Formula 2. Havia um maior potencial de mercado para estes pequenos motores e para estes menos dispendiosos monolugares pelo que um maior número de construtores especializados embrenhou-se na F2.

O carro original de F2 da Ferrari, lançado em 1949, era o 166 F2 equipado com um motor V12 de 2 litros mas deparou-se com muitas dificuldades contra os muito mais simples e descomplicados carros ingleses com motores de 4 cilindros e dupla árvore de cames. Impressionado com a simplicidade desses motores, o Enzo Ferrari pediu ao seu engenheiro chefe, o Aurelio Lampredi para construir e desenvolver o motor semelhante. Inicialmente, o Lampredi focou-se num motor multiuso de 2,5 litros mas assim que a mudança do regulamento foi anunciada, toda as atenções se viraram para um motor de 2 litros. O exemplo inglês foi seguido à risca e foi desenhado um motor construído a partir de uma liga de metais, com uma dupla árvore de cames guiada por correia. Com a alimentação assegurada por dois carburadores Weber, o novo motor Ferrari gerava 165 cavalos no início da temporada.

Denominado de 500 F2 (em referência à capacidade unitária de cada cilindro), o novo Ferrari de Formula 2 era virtualmente idêntico aos anteriores monopostos da equipa. O chassis em escada foi construído a partir de dois tubos ovais com várias ligações transversais. A suspensão dianteira era constituida por uma dupla de braços de forma “wishbone” com uma única mola montada transversalmente. Na traseira, foi usado um eixo DeDion mas o Lampredi quebrou a convenção ao usar uma dupla de braços guia para manter os semi eixos em paralelo. Quatro tambores de travão hidráulicos e uma caixa de 4 velocidades completavam a parte mecânica. O chassis 500 F2 foi revestido com uma simples mas elegante carroçaria monolugar e, ao contrário dos anteriores monopostos da Ferrari, o novo F2 tinha o “nariz” aberto.

Enfrentando forte competição por parte da HWM, Gordini, Maserati, Cooper e Connaught, a Scuderia Ferrari começou a época da melhor maneira vencendo com o Piero Taruffi a primeira das oito rondas do Campeonato do Mundo. Apesar de pertencer ao campeonato, a prova seguinte seria a de Indy 500, disputada sob diferentes regulamentos. A Ferrari enviaria uma equipa aos Estados Unidos com um carro derivado do modelo de 1951 mas equipado com um motor V12. No entanto, não teve qualquer hipótese contra os “Roadsters” americanos construídos propositadamente para este tipo de provas. De volta à Europa, o primeiro piloto da equipa, Alberto Ascari, venceria as restantes 6 provas do campeonato, sendo coroado sem surpresa de Campeão do Mundo de Pilotos no final do ano, secundado pelos companheiros de equipa Giuseppe “Nino” Farina e Piero Taruffi.

A miniatura é produzida pela Altaya e representa o monoposto nº101, vencedor do GP da Alemanha de 1952 disputado em Nürburgring com 22,81 kms onde, para além da vitória, conquistou também a Pole Position.
É uma miniatura com a qualidade Altaya, em metal e sem piloto. Quer isso dizer que a qualidade é sofrível, para não dizer má... Os pneus são plástico duro e tudo quanto represente uma cor cromada é plástico pintado “cor de prata”, mas todos os pormenores são fracos e grosseiros. A única coisa que se safa são as jantes raiadas mas que, mesmo assim, são demasiado espessos para a escala.

Ferrari 500 F2 - Ferrari 2.0 L4
Alberto Ascari

Vencedor GP Alemanha 1952
Altaya n/a




















 








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Re: A história da Formula 1 - Campeões do Mundo de Pilotos e de Construtores
« Responder #23 em: 26 de Abril de 2019, 16:11:19 »
Viva Zé

Fantástica a introdução!!!  [:wow:] Tópicos assim valem sempre a pena ter por cá!

A miniatura é simples, facto. Mas muito competente. Eu tenho um modelo dessa colecção e gosto imenso dele! Obviamente longe, e muito, dos Spark, mas são porreiros!

Falando nesse piloto, lembrei-me logo do excelente circuito que herdou o nome Ascari! Adorava dar lá umas voltas... Claro com um M3!!!  [:happy72:]

Grande abraço


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Offline zwaenepoel

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Re: A história da Formula 1 - Campeões do Mundo de Pilotos e de Construtores
« Responder #24 em: 26 de Abril de 2019, 20:12:49 »
Mais um capítulo da história da F1.
Dá-me um gozo bestial ler cada um.

E com fotos impecáveis!

Offline ZeCarlos

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Re: A história da Formula 1 - Campeões do Mundo de Pilotos e de Construtores
« Responder #25 em: 27 de Abril de 2019, 22:19:45 »
E com fotos impecáveis!

Dois bons professores e um rápido tutorial em phostoshop fazem toda a diferença!  [:wink01:]
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Offline cds

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Re: A história da Formula 1 - Campeões do Mundo de Pilotos e de Construtores
« Responder #26 em: 29 de Abril de 2019, 11:54:48 »
Mais uma excelente introdução [:happy72:]
A miniatura é simples mas com as fotos até parece outra coisa, só é pena a Spark não ter a licença Ferrari...

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Re: A história da Formula 1 - Campeões do Mundo de Pilotos e de Construtores
« Responder #27 em: 12 de Maio de 2019, 11:20:29 »
[:snack:] [:snack:] [:snack:] [:snack:]

Venha o próximo... que é quase igual  [:lol02:]

Offline ZeCarlos

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Re: A história da Formula 1 - Campeões do Mundo de Pilotos e de Construtores
« Responder #28 em: 14 de Maio de 2019, 22:16:50 »
Campeonato do Mundo de Pilotos – 1953

O Alberto Ascari continuou a ser o piloto a bater no segundo, e último, ano com especificações de F2, vencendo os primeiros 3 GP’s da época. Foi finalmente batido num dramático GP de França, terminando uma série de nove vitórias iniciada no GP da Bélgica de 1952. No circuito de Reims com 8,374 Kms de extensão, o seu novo colega de equipa Mike Hawthorn conquistaria a sua primeira vitória ao ultrapassar o Juan Manuel Fangio na última curva, depois de uma épica batalha entre os dois em que trocaram de posição virtualmente em todas as curvas do circuito e, ao fim dos 500 kms de prova, os quatro carros da frente ficaram separados por menos de 5 segundos. O Ascari venceria ainda mais duas provas a caminho do seu segundo título, enquanto o “Nino” Farina venceria ainda na Alemanha.

No último GP da época, em Monza, a Maserati ainda procurava a sua primeira vitória. A prova italiana seria uma batalha clássica de cone de ar entre o Ascari, Farina, Fangio e o colega de equipa e protegido do Fangio, o argentino Onofre Marimon. Este foi atrasado por uma paragem nas boxes à volta 46, mas a luta pela vitória continuou até à última curva da corrida. O Farina disputou a travagem para a Parabólica com o Ascari, que fez um pião colidindo com o carro do Marimon, então já com 5 voltas de atraso (o Ascari não se classificou dado que não cruzou a meta após o vencedor). O Farina foi para a relva para evitar o embate com o Ferrari e o Maserati, o que permitiu a ultrapassagem do Fangio e a primeira vitória da Maserati. Foi a única prova a contar para o Campeonato do Mundo sob o regulamento da F2 que não foi vencida pela Ferrari.

O campeonato teve o seu primeiro GP fora da Europa (Indianápolis à parte) com o primeiro GP do ano a ter lugar na Argentina no circuito de Buenos Aires. Enquanto o Fangio abandonou com uma transmissão partida, os locais Froilan Gonzalez e Oscar Galvez (cujo circuito seria rebatizado com o seu nome) terminaram nos pontos atrás dos dominadores Ferrari’s. Ficou também assinalada pelo despiste do Farina contra uma zona de público, atingindo fatalmente 9 espetadores, as primeiras mortes na Formula 1.

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Classificação Campeonato de Pilotos 1953
Alberto Ascari- Ferrari: 34,5 pts
Juan Manuel Fangio- Maserati: 28 pts
Nino Farina- Ferrari: 26 pts



Ferrari 500 F2 – Ferrari 2.0 L4

Apesar da concorrência ter tido um ano completo para evoluir até ao nível do 500 F2 da Ferrari, o domínio continuou em 1953. Neste ano, o Ascari venceu “apenas” cinco das nove provas do campeonato. O Mike Hawthorn e o Giuseppe Farina também venceram uma prova cada um com o 500 F2 e, escusado será dizer, a Indy 500 foi novamente uma causa perdida.

O carro era o mesmo do campeonato anterior, com o Aurelio Lampredi a efetuar pequenas alterações que incluíam o aumento da potência do motor e o reposicionamento dos escapes.

O Ferrari 500 F2 seria finalmente batido numa prova a contar para o Campeonato do Mundo na ultima corrida de 1953 em Monza. Coube ao Juan Manuel Fangio num Maserati quebrar a invencibilidade da Ferrari. Para além de 6 carros oficiais, a Ferrari também construiu cinco 500 F2 para pilotos privados que foram usados em provas extra campeonato pela Europa fora. Rudi Fisher e Louis Rosier foram particularmente bem sucedidos ao volante destes carros.

Após dois anos de interregno, a Formula 1 seria novamente “reinstituída” para a época de 1954, com motores de 2,5 litros e com alterações de pormenor ao restante regulamento técnico, dando assim ampla oportunidade aos construtores de fazerem meros “upgrades” aos designs existentes. Com os originais 2,5 litros de capacidade, o quatro cilindros em linha da Ferrari poderia ser facilmente adotado para servir como o novo motor para os carros de Formula 1 da Scuderia. No entanto, o resultado final, o 625 F1 seria ultrapassado pelo muito mais avançado Mercedes-Benz W196 e, subsequentemente, pelo Lancia D50. Ainda assim, o Froilan Gonzalez venceu o GP de Inglaterra de 1954 e o Maurice Trintingant venceu no Mónaco em 1955 depois do famoso mergulho do Ascari. O quatro cilindros desenhado pelo Lampredi seria também usado com bastante sucesso noutros modelos como o 500 Mondial e o 750 Monza.

Com a prática bastante comum da Ferrari de reciclar chassis mais antigos para carros de cliente, é impossível saber quantos 500 F2 e 625 F1 foram efetivamente construídos. Oficialmente, foram construídos 6 chassis “de fábrica” e 5 chassis para pilotos privados. A maioria dos carros sobreviventes foram equipados com motores maiores e continuaram a competir durante varias temporadas sendo que os quatro cilindros em linha italianos eram bastante populares na Austrália e Nova Zelândia.

Nos tempos modernos, o Tipo 500 F2 está entre os mais dispendiosos veículos no mercado, dado que não só o hipotético preço de aquisição é bastante elevado, como também o é o simples custo de manutenção. Foram construídas várias replicas deste modelo, a maioria em conformidade com as especificações originais, algumas equipadass com motores Alfa Romeo modernos de 2 litros com potência semelhante aos originais.

Dos 6 modelos “de fábrica” apenas um chegou aos nossos dias no estado original, o chassis nº 005 que, apesar de algumas modificações ao longo do tempo, foi restaurado à configuração inicial. Foi usado durante as épocas de 52 e 53 pelo Alberto Ascari. A conceituada autoridade mundial em veículos de competição de qualquer período desde 1887, o Doug Nye, descreveu este carro como “possivelmente o chassis com maior sucesso na história dos Grand Prix”. O carro foi também pilotado pelo Maurice Trintignant e pelo futuro campeão do mundo Mike Hawthorn. Depois da carreira em GP’s, foi vendido com uma versão de maior capacidade do motor de 4 cilindros em linha. Nas últimas décadas fez parte da Donnington Collection, altura da sua recuperação ao estado original mas, depois do seu encerramento em novembro de 2018, voltou para o cuidado do seu proprietário privado.
 
Dos 5 modelos construídos para pilotos privados, também apenas um chegou aos nossos dias no estado original, o chassis nº 0188F. Foi o terceiro a ser produzido e foi vendido a um piloto da Irlanda do Norte chamado Bobby Baird. Em 1954 foi vendido ao Reg Parnell que o equipou com um motor do 652 F1 e que o pilotou com bastante sucesso em várias provas extra campeonato, incluindo algumas vitórias. No final desse ano o Parnell fez uma troca com a Scuderia por um 533 “Squalo”. Subsequentemente, a Ferrari doou o carro ao museu Biscaretti em Turim, onde foi recuperado para as especificações de 1952 e de onde tem saído para outras exposições.

Em vários estados de alteração, incluindo transformações mecânicas, de motor e de carroçaria, chegaram até nós os outros 4 chassis “privados”: o 0184F que está, sem motor, desde 1987 no Musée Nationale em Mulhouse, França; o 0186F com um motor 625, vendido em leilão em 1992 a um colecionar privado; o 0208F, reconstruído em 1953 como um 625 F1, propriedade da Healey Motor Company no Reino Unido, e; o 0210F, equipado em 1957 com um motor Corvette V8, descoberto num estado lastimável na Argentina no início da década de 70, restaurado em 1982 no Reino Unido e vendido em leilão a um colecionador privado em 2004.

Acima de tudo, o 500 F2 será sempre lembrado como o carro que deu à Ferrari o seu primeiro Campeonato do Mundo. Ao vencer todas exceto uma das provas europeias em 1952 e 1953, também permanece na história como um dos mais bem sucedidos modelos de Grand Prix alguma vez construídos.


A miniatura é produzida pela HotWheels Elite e representa o monoposto nº46, vencedor do GP da Suiça de 1953, disputado no circuito de Bremgarten em 23 de agosto de 1953.

É uma miniatura com a qualidade HW Elite, em metal e sem piloto.
O tom do vermelho difere um pouco da miniatura de 1952 da Altaya, é um pouco mais esbatido, menos intenso, por assim dizer. No entanto é muito difícil, senão mesmo impossível, saber qual dos dois será o mais aproximado dos modelos em tamanho real. Já em termos de pormenor, está completamente distanciada do modelo Altaya. Todos os pormenores são mais finos e trabalhados como, por exemplo, os suportes do para-brisas, a grelha da tomada de ar à frente desse vidro, a grelha dianteira perfurada e, o detalhe mais diferenciador entre os dois fabricantes, os raios e o tom das jantes, com pneus em borracha maleável. Já as suspensões são tão mázinhas como as do Altaya: plástico cromado com falta de elementos mais finos.


Ferrari 500 F2 - Ferrari 2.0 L4
Alberto Ascari

Vencedor GP Suiça 1953
HotWheels Elite Limited Edition # 1017 of 5000






 

 



 







 


Um pequeno extra como comparativo:





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« Última modificação: 14 de Maio de 2019, 22:18:34 por ZeCarlos »
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Re: A história da Formula 1 - Campeões do Mundo de Pilotos e de Construtores
« Responder #29 em: 15 de Maio de 2019, 09:33:05 »
Mora cá um exactamente igual, cumpre muito bem mostrando bem a simplicidade do modelo [:happy14:]