Como já sabem por esta altura, eu tenho gostos um pouco particulares. Para além dos Citroen, tenho um gosto especial pelos Alfa, mas não só. Nos próximos tempos vou começar a postar alguns modelos menos vistos pelo Fórum, tipicamente dentro da temática desportivos dos anos 50, 60, 70 e de várias marcas (ingleses, franceses, italianos e mesmo americanos). Mas vou alternando com mais alguns Citros. Até parecia mal se não fosse assim, não é verdade ?
Hoje segue esta máquina da Matra.
Matra Bagheera (1973)O Matra Bagheera foi um desportivo criado pelos franceses do grupo de engenharia Matra em cooperação com a Simca e com o design do grego Antonis Volanis. O carro foi inicialmente comercializado como Matra-Simca Bagheera para realçar esta ligação, excepto no último ano de produção (1980), em que já foi vendido como Talbot-Matra depois da saída da Chrysler da Europa e da aquisição da Simca pelo Grupo PSA. O nome do modelo deriva, aparentemente, do nome da pantera do Livro da Selva.
O conceito era o de um hatchback elegante, com um grande “portão” na traseira, que permitia o acesso ao motor central, montado atrás do habitáculo. O carro tinha uma grande particularidade: havia apenas uma fila de bancos, mas com uma combinação invulgar de três lugares lado a lado, algo de que a Matra sempre gostou. Aparentemente, a Matra chegou a considerar o condutor na posição central (como o McLaren F1) mas abandonou a ideia devido aos elevados custos da solução, porque dificultava o aproveitamento de componentes standard de outros carros. Ainda hoje, o Bagheera se distingue, entre outros factores, por ser um dos poucos carros desportivos de sempre com três lugares. O Murena, que foi o seu sucessor, também tinha essa característica.
O Bagheera foi concebido com componentes dos Simca 1100 e 1307, nomeadamente, os motores, a caixa de velocidades e alguns elementos da suspensão, mas ao contrário destes, era um carro de motor central e tracção traseira. A carroçaria do Bagheera era feita de poliéster montada numa estrutura de aço.
Sendo um carro leve e aerodinâmico com um motor bem razoável, o carro era de facto relativamente rápido e tinha um comportamento muito bom, tendo sido muito bem recebido no mercado pelos entusiastas. O carro chegou a ganhar um prémio pelo seu design, simultaneamente bonito e funcional, competindo com carros como o Ferrari 308 ou o Lancia Beta. Não é qualquer carro que vence alguma coisa a um Ferrari…
Quando foi lançado em 1973, o Bagheera estava disponível apenas com o motor 1.3 L da família Simca (o motor Type 315). No início de 1974, a revista alemã Motor und Sport testou um Bagheera 1.3, comparando-o com os concorrentes e o carro não envergonhou, em grande medida devido ao seu baixo peso. Registou, por exemplo, uma velocidade máxima de 186 km/h vs. 176 km/h do Alfa Romeo GT 1300 Junior (que era uma referência da época) e acelerações melhores (12,2s dos 0-100 km/h vs. 13,5 do Alfa), isto apesar de o Alfa Romeo ser mais potente (mais 3 cv). Em 1976, foi ainda lançado o Bagheera S, com um motor 1.5 de 90 cv, também de origem Simca, reposicionando o Matra novamente face à concorrência, que entretanto também tinha evoluído. Nesta altura os seus 11,6 segundos dos 0-100km/h eram suficientes para se sobrepor aos concorrentes directos.
Uma curiosidade: A fábrica fez ainda algumas experiências para ter performances melhores, modificando os motores existentes. A abordagem mais radical foi quando produziu o que deve ser único motor U8 do mundo, usando dois blocos de quatro cilindros lado a lado. Este motor daria ao Bagheera uns respeitáveis 160-170cv, o que com um peso de cerca de 1.200 kg, tornaria o Bagheera U8 uma máquina de outro calibre (foram produzidas apenas 3 unidades). No entanto, este projecto experimental nunca foi levado para a produção em série, o que pode ter sido explicado pela situação que se vivia em meados dos anos 70, com o choque petrolífero.
Em 1976 o Bagheera sofreu um restyling importante (Bagheera tipo II), em que praticamente apenas a traseira ficou inalterada. Outra mudança menor voltou a ocorrer em 1978, quando o painel de instrumentos foi substituído e depois em 1979 (Bagheera tipo III), em que as portas passaram a ter puxadores convencionais em vez dos anteriores que ficavam escondidos.
A produção do Bagheera terminou em 1980, quando foi substituído pelo Matra Murena, tendo sido construídas 47.802 unidades.
Actualmente, é muito raro encontrar um Bagheera, o que é natural tendo em conta os seus problemas de ferrugem e de qualidade de fabrico (o Bagheera ganhou mesmo o “Limão de Prata” ADAC em 1975, para o carro de pior qualidade daquele ano). Embora os painéis de poliéster não enferrujassem, o chassis de aço não tinha quase nenhuma protecção. A Matra aprendeu com isso e galvanizou totalmente o sucessor do Bagheera, o Matra Murena, de que muitos rapazes da minha idade ainda se lembram. Esse também eu gostava de ter…

Matra Bagheera (1973) - Otto A miniatura é uma Otto (edição limitada a 1.000 exemplares) e como é habitual nas criações da marca, é em resina e bastante razoável no exterior, interior e fiel aos detalhes do carro real. Tem uma pequena imperfeição na matrícula. Também acho que as jantes podiam ser um pouco melhores. E neste aspecto, a Otto já fez bem melhor. Mas, por exemplo, faróis frontais e traseiros parecem-me muito bem. Mais uma vez, este é daqueles modelos que só se consegue ter na Otto. Aqui para nós, também estou à espera do Murena, que era um dos meus desportivos preferidos quando eu era mais miúdo.
Vamos às fotos…











