Como eu tinha prometido, vou dedicar-me nos tempos mais próximos a desportivos dos anos 60 e 70, alternando com Citros e Alfas mais conhecidos. Como é natural os apreciadores de máquinas desta altura vão achar mais graça …
Hoje segue este…
Triumph Spitfire MKIV (1970)O Spitfire Triumph é um dos mais famosos pequenos desportivos de dois lugares dos anos 60. O carro foi apresentado no Salão Automóvel de Londres, em 1962.
O Spitfire Triumph foi originalmente concebido pela Standard-Triumph para competir no mercado dos pequenos desportivos de preço acessível, que se tinha de alguma forma iniciado com a introdução do Austin-Healey Sprite. Tal como o Sprite que usava componentes do Austin A30/35 num chassis mais leve para permitir reduzir os custos e criar um desportivo de preço mais reduzido, também a Triumph decidiu usar a mecânica do seu pequeno familiar, o Herald, para apoiar o novo projecto.
A plataforma do carro foi em grande parte baseada no chassis, motor e caixa do Herald, sendo fabricado na fábrica de Canley, Coventry. Tendo sido concebido como um descapotável desportivo na sua génese, o chassis foi também reforçado estruturalmente. O Spitfire era fornecido com uma capota manual, que mais tarde evoluiu para uma capota dobrável. Eram também fabricados hard-tops pela marca, permitindo usar o Spitfire de forma confortável também nos meses de inverno. O carro destacava-se por ter uma frente/capot única, que se inclinava para a frente dando acesso um acesso diferenciado ao motor.
O veículo foi baseado num projeto do designer italiano Giovanni Michelotti em 1957, designer que já tinha desenhado o Triumph Herald. No início da década de 1960, no entanto, a Standard-Triumph estava já com problemas financeiros graves e era incapaz de colocar o novo carro em produção, o que só veio a acontecer já depois da aquisição pela Leyland. Segundo se diz, quando os funcionários da Leyland visitavam as novas instalações encontraram o protótipo Michelotti debaixo de um lençol de poeira num canto da fábrica e gostaram do que viram. O carro foi rapidamente aprovado para entrar em produção.
Ao longo da produção foram sendo lançadas várias evoluções do Spitfire:
Modelo Motor Anos de produção Unidades produzidas
Spitfire 4 Mark I 1.147cc Out 1962 – Dez 1964 45.753
Spitfire 4 Mark II 1.147cc Dez 1964 – Jan 1967 37.409
Spitfire Mark III 1.296cc Jan 1967 – Dez 1970 65.320
Spitfire Mark IV 1.296cc Nov 1970 – Dez 1974 70.021
Spitfire 1500 1.493cc Dez 1974 – Ago 1980 95.829
O Mark IV que mostro aqui neste post foi a versão que trouxe maiores mudanças ao Spitfire. Tinha uma traseira completamente redesenhada com um corte na traseira, com uma imagem de família muito forte com os Triumph Stag e 2000 da época, também desenhados por Michelotti e típico de outros modelos da época.
O capot e a frente, nomeadamente a grelha, foram também melhorados, ficando mais elegantes na minha opinião. O interior foi também melhorado, com um painel frontal único, colocando os instrumentos em frente ao condutor em vez de ao centro. Este painel originalmente em plástico foi substituído por um de madeira em 1973.
O motor manteve-se nos 1296cc, mas em 1973 foi modificado, para racionalizar a produção com os restantes motores e para respeitar a nova legislação sobre emissões acabou por ficar menos “nervoso”. A potência foi reduzida para 63cv às 6.000rpm e o binário para 94 Nm às 3500rpm. Como o peso aumentou para 779kg, a performance ressentiu-se e o carro perdeu vivacidade e acelerações. A título de exemplo, a velocidade máxima reduziu-se para 140 km/h. Pela positiva, houve também modificações na suspensão traseira, tornando o carro mais seguro, mesmo nos limites.
O Spitfire é um dos carros que marcou a indústria automóvel inglesa, mas espelha de alguma forma a decadência que a mesma começou a evidenciar a partir dos anos 1970. Deixou saudades em muitos entusiastas dos carros da época.


Triumph Spitfire MKIV (1970) - Chrono A miniatura é uma Chrono e segundo se diz tem o mesmo molde utilizado pela Sunstar. Do ponto de vista do molde parece-me bastante bem, bem como a nível dos faróis frontais e traseiros. Jantes, ok, sem deslumbrar. Ou seja, no exterior, francamente bem. Depois tem a abertura única do capot. A nível do motor é razoável e o interior bem que poderia ser um pouco melhor. Aliás, o painel de madeira do interior é um autocolante, e frágil. Mas globalmente, parece-me um muito bom compromisso para o preço e para a idade.
Depois é verde, como eu gosto nos descapotáveis desta época e é um modelo muito pouco visto. Este foi comprado na Alemanha via Ebay. Representa um modelo icónico e de que muitos têm saudades. Adoro-o!
Vamos às fotos…








