Para começar bem o ano e continuando a saga dos pequenos desportivos ingleses, apresento-vos o verdadeiro e único MGB!
E no Fórum ainda não tinha sido visto o descapotável … (acho eu).
MGB (1962)O MGB foi um desportivo lançado pela MG Cars em Maio de 1962 para substituir o MGA. O carro teve uma longevidade assinalável, mas com sucessivas versões. Inicialmente, foi lançado como um roadster de quatro cilindros, mas em 1965 seguiu-se um coupé 2+2. O seis cilindros MGC estreou-se em 1967 e um derivado equipado com um motor Rover V8 foi ainda produzido de 1973 a 1976.
O volume de produção do MGB ascendeu ao longo dos seus anos de produção (de 1962 a 1980) a 399.070 unidades. Globalmente e considerando todos os MGB (MGB, MGC e modelos MGB GT V8) chegou mesmo às 523.836 unidades, um valor assinalável.
Quando surgiu, o MGB tinha um design relativamente moderno, utilizando um chassis monocoque em vez do mais tradicional “body on frame” usados nos anteriores MGA MGT e mesmo nos principais rivais ingleses do MGB, a série TR da Triumph.
A carroçaria mais leve e o chassis “inovador” permitia a redução dos custos de produção e aumentava a resistência estrutural do carro. Uma outra curiosidade: o MGB foi também um dos primeiros carros a possuir zonas de deformação controlada com o objectivo de proteger o condutor e o passageiro num embate a cerca de 50 km/h. Na época, o comportamento era também considerado um dos pontos fortes do MGB.
Todos os MGB (excepto a versão V8) utilizavam o motor BMC B-Series. Este motor era essencialmente uma versão ampliada da utilizada no MGA com a cilindrada a aumentar de 1.622cc para 1798cc.
As performances do MGB eram bastante boas para a época, com uma aceleração 0-60 mph (96 km/h) em pouco mais de 11 segundos, ajudado pelo peso relativamente leve do carro. O motor de 1798cc do motor Serie B produzia 95cv às 5.400 rpm e com o redline às 6.000 rpm. O binário também era bastante razoável, com cerca de 150 Nm. Este motor foi actualizado em Outubro de 1964 num esforço para melhorar a sua fiabilidade.
No final de 1967, foram introduzidas alterações suficientes para a fábrica poder criar a evolução Mark II. Estas mudanças incluíram alterações na caixa de velocidades, no eixo traseiro e em vários componentes eléctricos. Houve várias outras mudanças ao longo do tempo, como sejam novas grelhas ou bancos reclináveis, mais modernos (1970).
Em 1972 foi introduzido o Mark III, com mais algumas mudanças, sobretudo a nível do interior. Mais tarde, em 1974 houve grandes mudanças devido à nova legislação americana. Aliás, como a maioria dos MGB foram exportados para os Estados Unidos, este mercado acabou por condicionar fortemente as suas evoluções e actualizações. Como exemplos, destacam-se as alterações no motor, na altura do carro e nos pára-choques. De facto, a partir de 1974 com a alteração da legislação nos EUA sobre emissões de poluentes e segurança, o motor teve que ser ajustado, o que reduziu bastante as suas performances, a altura do carro subiu uma polegada (25 mm) porque os faróis não estavam à altura regulamentar e os pára-choques passaram a ser maiores, reforçados e de borracha em vez de cromados. Na prática estas alterações pioraram as performances e o comportamento do carro… Ou seja, a resposta da BMC a estas imposições não foi lá muito bem conseguida. Houve depois várias melhorias ao longo do tempo, nomeadamente, com correcções na suspensão em 1976 que melhoraram bastante o comportamento, mas a verdade é que o carro perdeu claramente o seu fulgor, até porque o tempo começava a passar por ele…
O MGB manteve esta configuração com pequenas mudanças de detalhe até que a produção finalmente chegou ao fim em 1980. Por essa altura, já o carro estava bastante ultrapassado enquanto desportivo, mas nunca chegou a haver uma substituição. Aliás, os trabalhos num sucessor do MGB que tinham sido iniciados já em 1968 nunca foram consequentes, devido em parte às dificuldades da British Leyland ao longo da década de 70. Aparentemente, a BL concentrou-se na Triumph, porque alegadamente perdia dinheiro com a produção do MGB. Na prática, quando a fábrica de Abingdon fechou no Outono de 1980, a British Leyland não a substituiu (nem ao modelo) e a produção cessou definitivamente por essa altura.
O fecho da fábrica causou muitos protestos para os entusiastas da marca e do MGB em todo o mundo. Este facto fez com que a BL percebesse que a marca tinha bastante valor, enquanto fabricante de carros desportivos. Por isso, a marca acabou por ser utilizada posteriormente numa série de versões dos carros familiares do grupo, nomeadamente, pela Rover mas que pouco tinham a ver com os valores MG. Como excepções, destacam-se apenas duas tentativas: o MG RV8 e o MG MGF.
O RV8 acabou por ser uma apenas uma série limitada e “revivalista" com 2.000 unidades e que foi produzida pela Rover já em 1990. Apesar das semelhanças estéticas com o MGB roadster, o RV8 tinha na prática menos de 5% dos componentes do carro original.
Por último, o MGF que foi lançado em 1995 e teve algum sucesso, mas isso já são outras histórias, de que falaremos um destes dias, porque também tenho um para mostrar aqui no Fórum.
Se o carro vendeu bem e deixou adeptos por todo o mundo e uma marca visível na história do automóvel, a verdade é que nunca teve sucessor à altura, porque nessa altura, já a casa mãe atravessava grandes dificuldades.
Para terminar, vale a pena dizer que a história do MGB e as vicissitudes porque passou acabam por ser demonstrações claras, por um lado, do sucesso e, por outro, da decadência da indústria automóvel inglesa ao longo da década de 70 e de 80, com resultados que hoje são muito evidentes…

MG MGB (1962) - Corgi A miniatura é uma Corgi e foi comprada em Inglaterra via Ebay. Como já se vê não é muito habitual vê-la, penso que é mesmo bastante rara. Mas vocês dirão…
Quanto à qualidade, o molde parece-me mesmo bastante bem, tal como os faróis dianteiros e traseiros. Pára-choques e grelha ok. Já o interior e o motor me parecem algo simples. E depois o ponto fraco que, para mim, são as jantes. Ainda que possamos dizer que são do primeiro modelo, a verdade é que são bem fraquinhas…
Em todo o caso, globalmente, estou muito contente com ele. Desta marca já não se faz. E tem a cor que todos os MGB descapotáveis devem ter. É verde! Representa uma época de ouro dos pequenos desportivos ingleses. Em suma, gosto muito dela, mais pelo que representa do que pela mini em si, que é apenas honesta. Espero que vocês também a apreciem.
Vamos às fotos…







