Obrigado pelos comentários, pessoal. Este Citroen era mesmo algo só para "apreciadores"...
Segue agora outra coisa mais consensual ... um Lotus dos tempos áureos!
Nesta cor, creio que nunca foi postado cá no Fórum…
Lotus Europa Special (1972)O Lotus Europa original é um coupé GT de 2 lugares e motor central fabricado pela Lotus entre 1966 e 1975. Durante este período, o carro teve muitas variantes que englobaram alterações no design, nos motores, na carroçaria e suspensão, sendo mesmo lançadas algumas séries especiais para a competição e outras “comemorativas” como os Special e JPS.
O Europa foi originalmente pensado para suceder ao bem sucedido Lotus 7 de competição e usava o chassis minimalista de aço, que foi usado pela primeira vez no Lotus Elan, com uma carroçaria de fibra de vidro, a solução típica de Colin Chapman nesta altura. A filosofia de design automóvel de Chapman ilustrava-se pela expressão: "Simplifique, depois acrescente leveza". Neste caso, e para além do capot e da mala, a carroçaria era feita de uma peça única de fibra.
O comportamento do carro era suficientemente bom para ser qualificado na época pela imprensa como “a coisa mais próxima de um carro de Fórmula para a estrada”.
O conceito do Europa surgiu em 1963 com base em desenhos de Ron Hickman, para competir no concurso para a construção do projecto GT40 da Ford. Ron era diretor da Lotus Engineering, foi o designer do Lotus Elan original e o inventor da famosa bancada de trabalho Black&Decker. O contrato do GT40 acabou por ser dado à Lola, segundo se diz porque Colin Chapman insistia que o carro teria que ter a marca Lotus mas Henry Ford II queria que fosse um Ford. Por isso, Chapman acabou por usar os desenhos avançados de Ron Hickman (com um coeficiente aerodinâmico de 0,29, muito bom mesmo actualmente) como base para o Europa.
O Europa S1A Série 1 (S1) do Europa (type 46) foi anunciada na Europa a 20 de dezembro de 1966, sendo os primeiros carros entregues em França em fevereiro de 1967. O Série 1 foi equipado com um motor Renault 16 modificado de 4 cilindros e 1.470cc (com 82 cv em vez dos 52 cv originais) e uma caixa de 4 velocidades. O S1 pesava apenas 610kg.
O S1 tinha uma construção extremamente leve e minimalista, com vidros laterais fixos, assentos fixos, não tinha puxadores de portas nem forro no interior das portas, com um painel de instrumentos de alumínio. O chassis era fundido/colado na carroçaria de fibra de vidro, o que permitia uma rigidez estrutural melhorada, mas tornava as reparações bastante complicadas.
A revista Autocar testou o carro e registou uma velocidade máxima de 195 km/h, e uma aceleração de 0-96km/h em 9,3 segundos. Uma curiosidade: como a VW detinha os direitos do nome Europa na Alemanha, os carros vendidos no país foram nomeados “Europe”, em vez de Europa.
Apenas foram fabricados 296 exemplares do S1, o que faz deste modelo do Europa o mais raro no mercado.
A Série 1A e B (com perto de 350 unidades construídas) já tinha vidros laterais removíveis, um painel de instrumentos em madeira e forro nas portas. A série 1B tinha também uma traseira redesenhada, com novos faróis rectangulares. Considerando também a S1A e S1B foram produzidos 644 unidades do S1.
O Type 47
Embora o Europa original tenha sido pensado para ser um desportivo para equipas de competição privadas, capaz de substituir o Lotus 7, percebeu-se que não seria competitivo com os motores Renault disponíveis. Foi assim tomada a decisão de fabricar um carro de competição baseado no Europa e construído pela Lotus Components (o type 47). O carro iria correr pelo Team Lotus e seria também vendido a equipas privadas. Lançado ao mesmo tempo que o Europa S1, a carroçaria do type 47 era mais estreita que a do Europa normal e com guarda lamas mais largos. Foram também adicionadas grelhas de ventilação laterais depois de alguns problemas com a temperatura do motor. O motor, caixa de velocidades e suspensão traseira eram completamente diferentes do Europa normal e derivaram na totalidade do Lotus Formula Júnior 23/22 com 165cv extraídos de um motor Lotus/Ford/Cosworth de 1594cc e dupla árvore de cams à cabeça.
O Type 47 ficou para a história por ter conquistado o primeiro e segundo lugares na sua primeira corrida, realizada em Brands Hatch no Boxing Day (pilotado por John Miles e Oliver Jackie, respectivamente), Houve depois várias variantes do Type 47, mas com números de produção muito reduzidos. Um deles foi o Type 62, com apenas 2 unidades produzidas, mas já muito poucas semelhanças com o Europa (mais estéticas que outra coisa). Uma unidade equipada com um motor V8 Rover de 300cv foi mesmo construída em 1968 e registou cerca de 290 km/h de velocidade máxima.
O Europa S2A série 2 do Lotus Europa (type 54) foi lançada em abril de 1968. Usava o mesmo motor Renault que o type 46, mas tinha uma série de refinamentos, incluindo vidros eléctricos, assentos totalmente ajustáveis, um novo interior e um tablier de madeira polida. A Lotus alterou a junção entre chassis e carroçaria de fibra para uma união por aparafusamento (em vez da anterior junção por colagem). Um pequeno número de type 54 (cerca de 200) foram modificados para poderem ser aceites na exportação para os Estados Unidos.
Em 1969-70, nasceu o type 65 (também conhecido como S2 Federal) especificamente para exportação para os EUA, com alterações adicionais na carroçaria, chassis, suspensão e o motor para melhor cumprir com padrões americanos, mantendo-se a produção do type 54 para o resto do mundo. Entre as mudanças, estava o motor, uma versão modificada do Renault 16TL de 1565cc a produzir 80cv, em vez do motor de 1470cc do type 54. A suspensão dianteira foi também alterada para tornar a frente do carro mais alta para permitir faróis também a uma altura maior. A Revista Road & Track testou o S2 Federal e registou 9,6 segundos dos 0-96 km/h e uma velocidade máxima de 187 km/h.
Ao todo, foram produzidas 3615 unidades do S2.
Twin Cam e Special Em 1971, foi lançado o Type 74 (versão twin cam do Europa), com um motor de 1558cc Lotus-Ford de 105cv e uma carroçaria redesenhada para melhorar a visibilidade traseira. Inicialmente tinha a mesma caixa de velocidades das versões anteriores, mas em 1972 surgiu com uma nova caixa mais robusta de 4 velocidades Renault (type 352). Por esta altura, Mike Kimberley, mais tarde CEO do Grupo Lotus, e um engenheiro novo na Lotus, foi nomeado engenheiro chefe do projeto TC Europa.
Foram produzidas 1.580 unidades do Europa "Twin Cam", que mais tarde adoptou uma um motor mais potente com 126cv, a versão "Big Valve" do motor. Esta versão foi apelidada de "Europa Special". Para além do motor, foi equipado com uma nova caixa Renault de 5 velocidades (type 365), como opção. O Special pesava 740kg.
Esta versão foi testada pela revista inglesa “Motor” atingindo uma velocidade máxima de 198 km/h e uma aceleração de 6,6 segundos dos 0-96km/h e de 14,9 segundos para o quarto de milha. Estes registos eram verdadeiramente espectaculares para a época.
Em Setembro de 1972 foi lançada a primeira edição comemorativa John Player Special. Para comemorar o triunfo da Lotus no Campeonato do Mundo de F1 de 1972, foram seleccionados 200 carros “Big Valve” para serem pintados de forma distinta. Como o patrocinador era a John Player Special, os carros foram todos pintados de preto, com umas linhas douradas a fazer lembrar os carros de F1da Lotus e ostentavam um emblema JPS numerado no tablier. A ideia era que esta edição fosse limitada a 200 carros, mas o sucesso foi tal que o nome e a pintura característica acabaram por permanecer até ao final da produção do Europa. Na prática, a única forma de distinguir os JPS originais dos restantes Special passou a ser a placa numerada no tablier. Foram mesmo apresentadas variantes de cor diferentes do preto. É o caso da variante que eu estou a mostrar aqui no Fórum e que é de muito bom gosto, mas isto já digo eu.
Na totalidade, foram produzidas 4.710 unidades do type 74 (Série 2 do Europa), dos quais 3.130 foram "Specials".
Ao longo da sua vida, foram fabricados cerca de 9.300 Europa nas suas várias variantes. Este carro deixou muitas saudades nos entusiastas da marca. Assim, quatro décadas depois, em 2006, a Lotus começou a produção de um Europa totalmente novo com um design claramente inspirado no Elise, sendo também um coupé GT de motor central. Chamou-lhe Europa S, mas esse fica para um próximo post…


Lotus Europa Special (1972) - Kyosho A miniatura é uma Kyosho, o que nos dá desde logo uma garantia...
Do ponto de vista do molde parece-me muito bem, bem como a nível dos faróis frontais e traseiros. A pintura parece-me espectacular com as famosas linhas douradas da JPS que até ficaram muito bem no bege de base. As grelhas (frontal, laterais e no capot traseiro) são perfuradas, as jantes parecem-me muito bem. Depois há uma série de detalhes no exterior que são muito interessantes, como os tampões de gasolina, os puxadores das portas, os cromados nos frisos e os emblemas vários na lateral e na traseira. A parte que gosto menos é o limpa pará-brisas. Globalmente, no exterior, francamente bem, com excepção de um pequeno problema do pára-choques traseiro, que tem mais a ver com a idade e conservação que com o detalhe da miniatura em si. Gostava de fazer desaparecer estas pintinhas no cromado… uma coisa a ver num restauro futuro. (Quem tiver conselhos, diga que eu sou um bocado nabo nestas coisas)
O motor parece-me bem interessante, com alguns detalhes impecáveis e tem umas placas na lateral que me parecem também muito detalhadas. O interior parece-me bem conseguido, com o painel em madeira, sendo que o original também era relativamente simples. Só talvez o volante pudesse estar melhor. No conjunto gosto bastante dele.
Este menino é um Special, mas não no preto tradicional. Por acaso, eu até gosto mais desta cor, menos “Special” mas que valoriza mais as linhas do carro (é uma opinião, claro está). É uma peça invulgar e já tem uns anos. Encontrei-a num sítio manhoso e não muito cuidada e trouxe-a para casa quase como se fosse um cachorrinho abandonado e maltratado.
Marca uma época de ouro na Lotus e quando eu era miúdo arregalava os olhos a ver passar os poucos que havia por cá. Por isso, cá está ele. Entusiasmei-me um bocado com as fotos, devo dizer, porque gostei muito de as fazer. Espero que gostem também.
Vamos às fotos…











