Estava na hora de voltar aos ingleses!
Continuo a trabalhar para a Enciclopédia e como tal resolvi mostrar mais uma viatura nunca vista por cá. É um Triumph mal amado…
Triumph Stag Mk I (1971)O Triumph Stag foi vendido entre 1970 e 1978 pela Triumph Motor Company. Criado para ser um Grande Turismo, o Triumph Stag foi desenhado para competir diretamente com os modelos Mercedes SL. Por aqui se vê o posicionamento que se pretendia para o carro. O Stag seria o topo de gama da Triumph, um GT com grandes ambições, nomeadamente, no mercado norte-americano.
O carro começou como uma mera experiência de estilo construída a partir de um saloon Triumph 2000 que também havia sido desenhado por Michelotti. O carro de base foi “emprestado” a Michelotti por Harry Webster, o diretor de engenharia da Triumph. Eles acordaram que se Webster gostasse do design, a Triumph poderia usar o protótipo como a base de um novo modelo. Harry Webster adorou as linhas do modelo que tinha pouco em comum com o 2000, utilizou-o no Stag e acabou por usar as principais linhas de estilo deste design de Michelotti também no futuro T2000/T2500 da década de 1970.
As confusões com a absorção da Standard-Triumph pela British Leyland acabaram por atrasar o lançamento do Stag. O protótipo de Michelotti surgiu em 1965, mas o carro só foi lançado em 1970, com várias modificações, nomeadamente, o arco de segurança do pilar B. O Stag era um descapotável de quatro lugares que para melhorar a rigidez estrutural e para atender às novas normas de anti-capotamento americanas da época tinha um pilar B unido ao topo do pára-brisas por uma barra em T.
O carro conjugava agressividade com elegância e tinha um nível de preço adequado para o equipamento. O seu interior revestido a pele e madeira foi muito elogiado tendo uma boa recepção nos vários salões internacionais da especialidade. Uma curiosidade: o carro foi conduzido por James Bond no filme “Diamonds are forever”.
O carro tinha um chassis monocoque e direcção assistida com suspensão totalmente independente - MacPherson na frente, braços oscilantes na traseira. Na travagem havia discos à frente e tambor atrás. Quanto ao motor, a Triumph abdicou de utilizar o excelente motor V8 da Rover de 3.5 litros ou os motores de 6 cilindros de outros modelos e decidiu desenvolver autonomamente um novo motor V8 mais “nobre”, baseado no motor de 2.5 litros do saloon, mas com um aumento de cilindrada para 3.0 litros e uma sonoridade excelente. Em termos de prestações, o carro era bastante razoável com cerca de 147cv de potência, uma aceleração de 9,5 segundos dos 0-100 km/h e uma velocidade máxima de cerca de 190 km/h.
Infelizmente, o motor tinha alguns problemas de sobreaquecimento e rapidamente adquiriu uma reputação de pouca fiabilidade mecânica. Aparentemente, algumas mudanças de última hora tinham pouco sentido do ponto de vista de engenharia… Uma delas era a posição errada da bomba de água que sistematicamente dava problemas. Outra foi a própria escolha de materiais, bloco em ferro e cabeça em alumínio que requeria o uso de anticongelante durante todo o ano, correndo o risco de gerar corrosão electrolítica, se assim não fosse. Havia também um problema com as correias de distribuição que tinham uma durabilidade muito questionável, falhando frequentemente com menos de 40.000km e gerando reparações particularmente caras, como se percebe. E por aí fora… havia mais problemas de má qualidade de construção… Houve mesmo alguns donos que trocaram o motor por outros disponíveis, como o V8 da Rover, o V6 da Ford, ou mesmo o 6 cilindros que a Triumph usava noutros modelos.
Na época, a British Leyland não atuou de forma suficientemente decidida para resolver rapidamente os problema do V8 e a imagem do carro acabou por se deteriorar de forma irreversível. O carro tinha tais problemas de concepção e fabricação que foi considerado pela revista Time como um dos 50 piores carros de todos os tempos.
Houve várias versões do Stag, o "Early" Mk I (1970), o Mk I (1971–1972/3), o Mk II (1973) e o "Late" Mk II (1974–1977). As diferenças não são grandes. O Mk II distingue-se pelas listas laterais a negro, bancos com encosto de cabeça (a partir de 75), secção traseira em preto-mate e saídas de escape cromadas. O hard top que era vendido como opção nas primeiras versões foi incluído como equipamento de série.
Muito devido à sua reputação, o carro não teve grande sucesso, sendo que apenas 25.877 carros foram produzidos entre 1970 e 1978. Os problemas associados ao carro foram sendo resolvidos ao longo dos anos pelos clubes de entusiastas, elevando o carro ao estatuto de clássico que merece. O Triumph Stag tem um clube de fãs de dimensão considerável, com um grande apoio aos proprietários e um grande número de fornecedores especializados. Segundo o clube, existem ainda cerca de 9.000 Stags certificados no Reino Unido. A popularidade do carro é alta entre os coleccionadores devido à sua performance, relativa raridade e ao estilo Michelotti.



[ Triumph Stag Mk I (1971) - Jadi A miniatura é uma Jadi e tem um nível de qualidade razoável, tendo em atenção os padrões da marca e o seu preço.
Gosto mais de umas coias do que de outras. Gosto do molde, da pintura, das ópticas e de alguns detalhes nos emblemas. Já a grelha, as jantes, o motor e mesmo o interior são mais fraquitos. Dito isto, até gostei do painel de instrumentos… Já as portas estão bem, mas nota-se um ligeiro empeno da zona superior, porque não ficam à face do pilar B. Depois de tudo isto, até parece que não gosto muito dela, mas não é assim. Globalmente, é um bom compromisso e representa o carro em si, que era o que me interessava. E nesta cor, até fica muito bem na vitrine.
Mais uma vez, esta é, por enquanto, a única forma de ter este modelo em 1:18. Vamos às fotos…













Continua…