Para comemorar as 100 páginas desta garagem, apresento-vos mais um modelo... diferente:
Vector W-8 TwinTurbo - 1989 (Ricko)Durante os anos 70, um engenheiro californiano chamado Gerald A. Wiegert tinha o sonho de criar um supercarro que concorresse com os mais potentes Ferrari e Lamborghini da época. Seguindo o seu sonho, criou em 1976 sua empresa automóvel, sediada em Venice, próximo de Los Angeles. Chamada Vector Aeromotive, contava com o projecto de um automóvel extraordinário onde queria incluir toda a tecnologia mais avançada da época e que viu a luz do dia apenas passados 4 anos, o W-2 (no nome o "W" origina do nome do fundador e o "2" do número de turbocompressores). O design deste modelo, realizado por Wiegert e David Kostka, era claramente inspirado em carros como o Lamborghini Countach ou o Alfa Romeo Carabo, com o intuito de obter a máxima eficiência aerodinâmica, com o pára-brisas na mesma linha do capot, com as entradas e saídas de ar perfeitamente integradas nas linhas da carroçaria ou os faróis escondidos atrás de "persianas". As portas abriam em mariposa, tal como o Countach.

Debaixo da carroçaria escondia-se uma estrutura semi-monocoque em favo de mel que recorria também ela aos mais modernos materiais como o alumínio, Kevlar, fibra de carbono, poliéster ou materiais compósitos em conjunção com estrutura de rolamento tubular em aço, com suspensões de duplos triângulos sobrepostos na dianteira e eixo DeDion com duplos braços longitudinais e barra diagonal na traseira. Ao centro morava em posição transversal o "coração" do W-2, um V8 a 90º de origem Chevrolet / Donovan que com os seus 5735cc alimentados por dois turbocompressores e dois intercoolers permitiam transmitir às rodas traseiras 600cv e 800Nm através duma caixa automática de 3 velocidades GM Hydramatic 425, permitindo segundo a Vector alcançar os 320km/h, valor amplamente subvalorizado, já que em testes nas Bonneville Salt Flats chegou a atingir os 389km/h, mesmo com a entretanto montada asa traseira! Do W-2 apenas foi construída uma unidade que foi modificada e pintada várias vezes ao longo da sua vida para dar a ideia que várias unidades foram construídas.

Em 1989, e após Gerald Wiegert ter tentado recolher financiamento, uma versão modificada do W-2 foi colocada à venda: o W-8 TwinTurbo. Esteticamente era bastante semelhante ao W-2 mas vários elementos foram revistos, como a obrigatoriedade da colocação de retrovisores (que entretanto tiveram que receber ventilação para aperfeiçoamento aerodinâmico), um spoiler traseiro de 3 planos, um novo splitter dianteiro e nova abertura dos faróis, que invulgarmente vêm as coberturas baixar para dentro da carroçaria e assim descobrir os faróis em vez dos então na moda faróis escamoteáveis; tudo em nome da aerodinâmica, concedendo-lhe um Cx de apenas 0,32.

Debaixo do capot morava agora um motor V8 a 90º de competição GM / Rodeck construído totalmente em liga de alumínio com cilindros substituíveis em ferro dúctil, com sistema de gestão electrónica de injecção e ignição Bosch, duplo turbocompressor Garrett AiResearch H3 com duplo intercooler ar/ar de dupla passagem em alumínio e catalisador de circuito fechado. Com 5973cc debitava, segundo a marca 625cv e 854Nm através de uma caixa automática de 3 velocidades B&M modificada com modo manual em alumínio e diferencial autoblocante Gleason-Torsen, que teoricamente permitia ao W-8 alcançar os 354km/h, sendo os 100km/h alcançados em cerca de 4,5 segundos.

A Vector sublinhava insistentemente o avanço tecnológico dos seus modelos com a ligação ao meio aeronáutico. Se efectivamente a estrutura em alumínio tipo "favo-de-mel" é utilizada nessa indústria ou os rebites utilizados na mesma eram de grau aeronáutico, o interior era sem dúvida onde essa influência era mais gritante: o tabliet numa só peça é era pejado de painéis digitais e comandos por botão que pareciam saídos directamente dum F16; aliás, o ecrã digital à esquerda do volante servia de "diagnóstico" dos diferentes sistemas do veículo, como nos aviões. O comando da caixa era escondido na embaladeira da porta, com uma pega semelhante à dos "aceleradores" dos aviões a jacto!

A produção iniciou-se em 1989 e ao longo dos 4 anos de produção saíram 19 W-8s das linhas de produção (2 protótipos de pré-produção e 17 vendidos a clientes) quando, já no processo de planeamento do substituto pelo insano WX3 de 1200cv, a empresa propriedade do filho do antigo presidente indonésio Suharto, a Megatech, fez uma aquisição hostil à Vector Aeromotive. A orientação comercial do construtor mudou dramaticamente com a apresentação do novo modelo em 1995, o M12, que agora se baseava integralmente em mecânica Lamborghini (que, agora, era também propriedade do Grupo Megatech) e que apresentava um design baseado frouxamente no do WX3 que era tudo menos feliz. Entre 1995 e 1999 foram produzidos 18 M12s (4 protótipos pré-produção e 14 de produção) e um dos protótipos foi convertido em modelo de competição que, mais tarde, daria origem ao SRV8.

A produção acabou em 1999 quando a Vector não podia pagar à Lamborghini pelos motores fornecidos e deu um W-8 como pagamento. Gerald Wiegert abriu um litígio pela propriedade do carro e ganhou o processo e recuperou os direitos de autor do design, equipamento e restantes carros por vender. No entanto, o estrago já estava feito e não houve outra hipótese senão deixar a louca empresa californiana morrer.

A miniatura que apresento, representada à escala 1:18 pela Ricko, representa um dos modelos mais antigos dos W-8, já que não só tem os retrovisores totalmente encerrados como ainda tem a claraboia no tecto, que testes a alta velocidade mostravam gerar demasiada vibração a alta velocidade. A representação é humilde e correcta, não sendo dos melhores trabalhos da Ricko, mas representa honestamente o modelo. O motor não me parece coincidir com o aspecto de nenhum Vector que já tenha visto pelo que posso presumir que ou é um dos modelos pré-produção com condutas de admissão diferentes ou a Ricko tomou a sua liberdade neste elemento. Já o interior é alcatifado em tom claro, que dá um contraste interessante ao interior, embora também não saiba até que ponto é correcto. Outro elemento com bom aspecto são as rodas, com os correctos pneus Michelin MXX3 e jantes de belo aspecto com um belo toque conferido pelos discos de travão com pinça.

Este modelo em específico foi mais um namoro longo: difícil de encontrar no estrangeiro, ainda mais o é por cá. Este veio da França pelo eBay e, se a descrição do negócio indicava que a peça estaria em boas condições (e as fotos assim o davam a entender), com a recepção do modelo veio a má surpresa: tinha-se partido a dobradiça da porta do lado do pendura e então esta, simplesmente, vinha colada com cola de contacto à abertura! Fiquei piurso com a coisa e o vendedor teve que me devolver parte do dinheiro. Felizmente consegui reparar (até certo ponto) os danos, como as fotos atestam.
Desculpem lá a seca, segue uma pior: as fotos. Não é das sessões que mais me orgulhe mas acho que dá para perceber o modelo e os seus pormenores.
