Mercedes-Benz SLS AMG – 2009 (GTAutos)No início dos anos 50 a Mercedes-Benz estava a reerguer-se da derrota alemã na II Guerra Mundial e a concentrar os esforços na produção de veículos de estrada. No entanto, não tardou que o “bichinho” da competição não regressasse, embora a empresa não tivesse uma fracção dos fundos de que dispunha no desenvolvimento dos seus carros de Grand Prix de antes da Guerra. Para tal, o mais fácil era pegar em meios já disponíveis em carros de estrada e juntá-los num carro de competição. Mas os carros de estrada então existentes tinham um grande defeito: eram todos pesados demais para conseguir “espremer” um carro de competição vencedor. Assim, foi necessário conceber um chassis tubular em aço totalmente novo, leve e sólido, no qual foram depois instalados tantos componentes de carros de estrada (essencialmente do recém-lançado topo-de-gama 300) quantos possíveis, incluindo o 6 cilindros em linha M198 de 2996cc, inclinado para a direita a 30º, que por sua vez recebeu alguns “toques”, que incluíram a injecção mecânica Bosch, de forma a debitar 215cv de potência máxima.

Para vestir a estrutura recém-criada, os engenheiros da casa de Estugarda acharam que a opção da carroçaria coupé seria a aerodinamicamente mais adequada e, uma vez que as laterais da estrutura eram muito altas, as portas não podiam ser montadas na configuração convencional. Como tal, adveio a ideia de montar as dobradiças das portas no tejadilho e as portas abririam de baixo para cima, sendo que o carro visto de frente com as portas abertas se assemelha a uma gaivota de asas abertas. Assim o lendário 300 Sports Leicht ou 300 SL ganharia a alcunha de “gullwing” ou “asas de gaivota”, aquele que se tornaria um dos mais icónicos automóveis de todos os tempos.

Passados 55 anos a Mercedes-Benz achou que era boa altura para aproveitar a celebração do meio centenário do lançamento do 300 SL para lhe fazer uma homenagem com a inclusão na linha de modelos do seu superdesportivo que substituiria o SLR McLaren. A base do SLS AMG estava inicialmente destinada à 4ª geração do Dodge Viper mas com a cisão do Grupo Daimler/Chrysler em 2004, o projecto afundou-se com ele. Assim, a divisão desportiva da Mercedes-Benz, a AMG, tomou conta em exclusivo do projecto e trouxe-o à luz do dia no Salão de Frankfurt a 15 de Setembro de 2009. Sendo estilisticamente um interpretação moderna do 300 SL de 1954 (incluindo as portas em asa de gaivota, a grande grelha dianteira dominada pela estrela de 3 pontas, a traseira curta e ranhuras laterais de arrefecimento do motor), o SLS AMG é um misto de clássico, moderno e exótico, uma mostra das capacidades da AMG.

Debaixo da carroçaria de inspiração retro em alumínio reside um moderno chassis também ele em alumínio, uma estreia no seio da Mercedes-Benz, com duplos triângulos sobrepostos nos 4 cantos, que com tudo incluído eleva o peso do SLS aos 1620kg (distribuídos 46% sobre o eixo dianteiro e 54% sobre o traseiro). Debaixo do capot, atrás do eixo dianteiro, mora o novo bloco V8 M159 em alumínio estreado dois anos antes no C63 AMG e CLK63 AMG Black Series, que com 6208cc, dupla árvore de cames à cabeça, 4 válvulas por cilindro e lubrificação por cárter seco debita 571cv às 6800rpm e 650 Nm às 4750rpm que, através da moderna caixa automática com comando manual sequencial de 7 velocidades e embraiagem dupla permite ao SLS AMG atingir os 100km/h em apenas 3,8 segundos e uma velocidade máxima de 317km/h.

A potência é transmitida às rodas traseiras através dum veio de transmissão em fibra de carbono, solução trazida do Classe C de DTM, para um diferencial mecânico autoblocante. A tracção é assegurada por pneus Continental ContiSportContact 5P montados em jantes de 19” à frente e 20” atrás, sob os quais se vêm os enormes discos em materiais compósitos, ventilados e perfurados, e as pinças de 6 pistons à frente e 4 atrás. Na traseira, um spoiler de accionamento automático ajuda à estabilidade a alta velocidade ou como travão aerodinâmico em caso de travagem mais brusca.

A miniatura que vos apresento (e a pedido de várias famílias) é reproduzida pela Welly à escala 1:18 sob o cunho da sua nova marca GTAutos. Deixem-me que vos diga desde já que esta é, sem dúvida, a melhor representação do SLS AMG actualmente existente a esta escala (basta que vejam as fotos e tirei bastantes para que não restem dúvidas). Desde logo sobressai a pintura, rica e com um metalizado lindíssimo, que não sendo o clássico prateado que queria (apenas existe esse cinzento), é lindíssimo! Depois, denotem-se pormenores como os frisos cromados que adornam as grelhas ou as próprias grelhas, todas elas abertas e em malha de aspecto excelente. As jantes fugiram ao design que a Minichamps e a Mondo Motors aplicaram nos seus modelos, com um belo design raiado com um acabamento excelente e muito realista, escondendo uns vistosos discos de travão metálicos perfurados com pinças douradas. Em adição, um pouco por toda a carroçaria, encontram-se logótipos em fotoincisão de aspecto excelente como os letterings “SLS”, “AMG”, “6.3” ou o emblema da Mercedes na dianteira.

Abrindo as portas encontra-se um tablier com aspecto de pele bastante interessante, com todos os botões em relevo, saídas de ventilação muito realistas, molduras cromadas dos manómetros, interior alcatifado, pilares do pára-brisas e tejadilho revestidos com correcção e, surpresa: os bancos em plástico macio deslizam para a frente e para trás, como se ajustáveis em alcance. Não estava à espera disto! E depois há o aspecto do tablier, com aplicação em imitação de fibra de carbono, centralmente adornado pela pega do comando da caixa de aspecto muito realista (atrás do volante também moram dois comandos sequenciais da caixa, perfeitamente cromados e “incrustados” no volante). Nas soleiras de cada porta estão também aplicações em fibra de carbono. A bagageira também é belamente alcatifada e a pintura das borrachas de vedação está excelente. O capot, por fim, só pode ser aberto com a “pinça” que é fornecida com o modelo, já que o mesmo fecha bem justinho à abertura para ele destinada, sob o qual está um motor de aspecto limpo e correcto. Por fim, só falta referir que até o fundo do carro está correctamente representado e denota-se que as suspensões são perfeitamente funcionais. Que mais se pode pedir por este valor?


