Muito obrigado pelos vossos comentários!
![Fixe [:happy14:]](http://www.forum-diecast.pt/Smileys/FDC/happy14.gif)
Agora vamos a algo que pode ser controverso por outros motivos:
As bandeiras da chancelaria do III Reich não constam originalmente na miniatura e foram acrescentadas por mim e apenas por motivo de rigor histórico. Não tenho nem consigo ter qualquer tipo de simpatia com o regime que utilizou o veículo retratado. A peça tem valor meramente histórico para a época em que se insere, não sentindo nada que o mais profundo repúdio pelo que simboliza.
Mercedes-Benz 770K Pullman Cabriolet F - 1938 (Signature Models)Em finais dos anos 20 a Mercedes-Benz viu-se sem um verdadeiro topo-de-gama na sua gama de modelos. O topo na altura era o 630K que não só não era refinado e moderno (era essencialmente o velhinho 24/100/140hp revisto) como o motor de 6240cc e 150cv também não parecia ser suficiente para mover com pujança o pesado veículo. Aproveitando o êxito que os Mercedes Rennwagen tinham nos Grandes Prémios estava dado o mote para a introdução de um modelo mais opulento… e potente! Foi então que em 1930 decidiram desenvolver um novo bloco, com 8 cilindros em linha em vez dos 6 cilindros usados nos 630 / 680 / 710K com válvulas montadas na cabeça e pistões de alumínio, com uma cilindrada total de 7655cc que produzia 150cv (podia montar como opção um compressor tipo Roots activado em acelerações a fundo que elevava a potência máxima a 200cv) que acoplado à caixa manual de 4 velocidades permitia ao pesado veículo atingir os 160km/h. Para montar este bisonte foi escolhida uma solução tradicional de chassis de travessas e longarinas com suspensões de feixes de molas sobre eixos rígidos, podendo admitir toda uma miríade de carroçarias que iam dos sedans aos cabriolets, passando por coupés e roadsters mas conservando a distância entre-eixos de 3750mm. Assim nascia o W07, que dadas as generosas dimensões ganharia a alcunha de “Großer Mercedes” ou “o Grande Mercedes”, do qual seriam produzidas 117 unidades.

É certo que o W07 consistia num valente salto em frente numa época em que outros fabricantes como a Rolls-Royce, a Hispano-Suiza ou a Bugatti faziam carros especialmente para grandes famílias aristocráticas, realeza ou outros chefes de estado. Naturalmente a Mercedes-Benz não podia ficar para trás e o 770 era a mostra do que a Alemanha valia. No entanto, embora com um modelo completamente novo, o W07 continuava a ser uma aproximação antiquada e conservadora do carro de luxo. Como tal, em 1938 o 770 recebeu uma revisão profunda, tão profunda que essencialmente apenas o motor transitou para o novo modelo (W150): o chassis era agora uma moderna estrutura tubular em aço de perfil oval e as suspensões eram agora totalmente independentes, com duplos triângulos sobrepostos na frente e eixo DeDion na traseira, com molas helicoidais nos 4 cantos. A carroçaria recebeu uma revisão, com os guarda-lamas agora com “saias” laterais em prolongamento da lateral e um design mais aproximado dos desportivos 500K e 540K. A mecânica também foi revista, com o 8 em linha a debitar agora 155cv na forma atmosférica e 230cv às 3200rpm com compressor volumétrico, que foi acoplado a uma nova caixa manual de 5 velocidades, sendo a 4ª de relação directa e a 5ª em overdrive. Em 1938 o 770K era o veículo alemão mais caro da época, custando mais que uma casa de uma família da classe média / alta! A produção durou apenas sob encomenda até 1943 após 88 unidades terem saído da linha de montagem.
Na altura em que o 770 saiu, a Alemanha estava em convulsão política e social: saídos duma desastrosa I Guerra Mundial e um não menos desastroso armistício, estavam criadas as condições para a subida ao poder de personalidades de extrema, alimentando as frustrações do povo. Por isso a eleição de Adolf Hitler a chanceler em Janeiro de 1933 viria a ser um dos momentos cruciais da história da humanidade, conduzindo ao maior conflito armado da História, palco de algumas das maiores atrocidades alguma vez cometidas contra seres humanos.

Como é sabido, a propaganda pró-Alemanha tentava enaltecer tudo o que de melhor e superior o país tinha e o gosto de Hitler por carros (o III Reich inclusive financiava os construtores alemães na competição para vencerem nos Grandes Prémios, como mais uma mostra de superioridade germânica) tornaram a escolha do 770 óbvia para transportar os mais altos comandos do governo. O governo alemão comprou 7 “Großers” entre W07, W150 e até pelo menos um 540K Offener Tourenwagen, o protótipo do W150. No entanto, para quem conhece a “Operação Valquíria”, sabe que várias foram as tentativas de assassinato que Hitler sofreu. Mas Hitler era até bastante filosófico em relação aos seus carros de parada já que “preferia morrer num Mercedes que escondido”; como tal, os 770K Pullman Cabriolet F (o modelo descapotável de 4 portas com lotação até 8 pessoas) que a chancelaria encomendou à Mercedes eram máquinas muito especiais que nada deviam aos actuais carros blindados que os chefes de estado utilizam Vejamos:

A carroçaria era toda reforçada com placas em aço de 18mm de espessura para ser á prova de bala ou explosão, os vidros são à prova de bala e têm uma espessura de 40mm, o capot era à prova de bala e até as rodas suplentes forneciam blindagem extra ao motor, os pneus consistiam em 20 células individuais que os tornavam virtualmente à prova de bala, atrás do banco de Hitler (que podia ser elevado 13mm acima dos restantes para que ele parecesse a pessoa mais importante) elevava-se uma placa de aço à prova de bala e em redor do habitáculo – inclusive nas cavas das rodas e fundo da carroçaria – foi colocada blindagem extra para o caso de uma explosão. As portas tinham um sistema electro-magnético de fecho centralizado e entre os bancos do condutor e passageiros encontravam-se 3 bancos desdobráveis para convidados ou guarda-costas armados das SS.

Outro elemento deveras extraordinário encontrava-se debaixo do capot: o motor de 7655cc havia sido trabalhado de forma a debitar uma potência máxima de 400cv, de forma a que o extremamente grande e pesado veículo (tinha 6m de comprimento, 2,20m de largura e 4780kg de peso em seco!) pudesse rapidamente acelerar até uma velocidade máxima de 200km/h em caso de necessidade de fuga! Não é de admirar, portanto, que estes tivessem que montar 3 depósitos de combustível à prova de bala com uma capacidade total de 300 litros, já que consumia em redor de 60 litros / 100km! Entretanto, com os avanços na frente Leste e para as comuns visitas do chefe de estado à Checoslováquia, o estradista 770K foi substituído por um mais versátil Mercedes-Benz G4, um monstro de 6 rodas com capacidade todo-o-terreno notável, sendo que vários 770K pertencentes ao III Reich chegaram aos nossos dias às mãos das tropas Aliadas.

A miniatura representa um dos 770K W150II pertencentes ao governo Nazi, sendo distinguível pela matrícula única que partilhou com um W07 de 1930. Aqui, a Signature Models representou superiormente este carro de inegável valor histórico com bastante detalhe: os interiores são alcatifados, os bancos da fila do meio são rebatíveis individualmente, todas as aberturas são funcionais (e com recurso a umas dobradiças que têm tanto de funcional como de correcto para o modelo) e até as palas do sol são funcionais; a grelha é em fotoincisão e a própria moldura do radiador é feita em aço inoxidável! É claro que as bandeiras da chancelaria foram “censuradas” (por razões óbvias) em detrimento de umas lisas encarnadas, que foram substituídas por umas mais correctas exclusivamente para fins de precisão histórica.



