Muito obrigado a todos os que por cá passaram, ainda bem que gostaram. Agora apresento mais um, desta vez “100% Made In U.S.A.”
Ford Model T-Bucket - 1955 (Road Signature)Durante os anos 30 popularizaram-se as corridas de velocidade, nomeadamente nos lagos salgados como Bonneville que durante o Verão secaram, que graças à sua grande superfície totalmente plana permitiam tais proezas em relativa segurança. Nesta altura, entusiastas modificavam os seus carros para se tornarem mais potentes e aerodinâmicos de forma a conseguirem os melhores resultados possíveis. Assim nasciam os
hot rods. Desde logo, a origem do nome não é consensual: uns dizem ser uma contracção de “hot roadster”, outros que será uma alusão aos motores modificados, que na altura passavam muito pela troca das árvores de cames por outras de maior curso, alcunhadas de “hot stick” ou “hot rod”.

Mas a explosão de “hot rods” deu-se a sério com o regresso dos jovens soldados da II Guerra Mundial que, exuberantes de vencerem a guerra, encontraram nos veículos motorizados uma forma de expressarem a sua euforia. Ora, o que havia com fartura nessa altura? Ford Model T e Model A eram dos carros mais vendidos de então (o T foi mesmo o mais vendido do planeta até ser suplantado pelo Typ 1 já nos anos 70) e, com pouco dinheiro e alguma formação mecânica obtida no serviço militar, não tardou que começassem a florescer carros modificados pelas estradas.

As modificações típicas passavam por, agarrando na estrutura existente, remover todas as peças desnecessárias para redução de peso ao máximo: guarda-lamas, capotas, capots, pára-choques ou pára-brisas eram removidos mantendo apenas o essencial da mecânica e carroçaria; o que sobrava não era mais que o habitáculo central e os órgãos mecânicos adjacentes, que no Model T se assemelhava a um balde. Daí adveio a designação “T-Bucket”. O restante centrava-se em maximizar o rendimento mecânico, nem que para tal fosse necessário substituir o motor por outro mais potente; no Ford Model T a opção mais comum era o V8
Flathead ou o “Y-Block” que o substituiu, sendo que estes blocos ainda seriam trabalhados com admissões específicas (carburadores duplos, triplos ou quádruplos ou mesmo instalando 2 ou 3 carburadores em linha) ou mesmo sobrealimentando-os com compressores volumétricos “à descrição” e escapes directos, sendo as saídas laterais quase mandatórias. Acontece que com a escalada de potência (que muito normalmente era demasiada para a estrutura dos velhos carros, amiúde nunca exploradas as capacidades mecânicas em detrimento do efeito UAU! nas mostras a que se destinavam), a transmissão tinha também que ser melhorada como o uso de caixas automáticas especiais para
drag races e os pneus traseiros trocados por outros de dimensões bem mais generosas para pôr toda a potência no chão.

Os carros que efectivamente exploravam as capacidades mecânicas que tinham eram essencialmente usados para as chamadas “drag races”, inicialmente chegando a extensões que excediam 1 milha (1,6km) mas depois convencionadas ao ¼ de milha de extensão (mais ou menos 400m), que se foram dando um pouco por todos os E.U.A. À medida que a popularidade do fenómeno foi aumentando, revistas especializadas e associações foram nascendo, sendo a mais notória a NHRA (National Hot Rod Association), hoje em dia responsável pelos campeonatos de
drag race. O fenómeno ganhou tal dimensão que as próprias marcas (a Ford foi pioneira) desenvolveram linhas de equipamento e até preparação de motores vendidos separadamente para os hot rods (as linhas Ford Racing são exemplo disso).

O modelo que aqui mostro é um T-Bucket baseado num Model T de 1919 que, não sendo (tanto quanto tenha descoberto) a representação dum carro em específico, incorpora uma série de elementos característicos dos hot rods T-Bucket como o exterior despido (os guarda-lamas traseiros estão a mais), a ausência de capota e capot, o motor V8 com escapes laterais (neste caso o Ford Y-Bloc 239 com 3 carburadores), manutenção do pára-brisas e volante originais, caixa automática de “drag racing” de 3 velocidades e eixo dianteiro rebaixado. Já os travões de disco ventilados, perfurados e ranhurados não são originais, assim como as jantes modernas (supostamente em liga). De qualquer das formas, é uma representação condigna de um movimento da maior importância na história da cultura automobilística mundial, sendo o ano indicado meramente indicativo, tendo em conta que o Ford Y-Block apenas foi lançado em 1954…
E eu tinha que ter um hot rod!!
![Excitado [:excited:]](http://www.forum-diecast.pt/Smileys/FDC/excited.gif)




