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Agora vamos para uma peça bem mais invulgar:
Pierce-Arrow Silver Arrow - 1933 (Signature Models)A história da Pierce-Arrow começa em 1865 como Heinz, Pierce and Munschauer, uma empresa que era mais conhecida pelo fabrico de belas e delicadas gaiolas para pássaros. Passados 7 anos George Norman Pierce comprou a parte dos restantes dois sócios, acrescentando à linha de produtos bicicletas antes do final do século. Em 1900 George tentou, sem sucesso, construir o seu primeiro carro a vapor mas em 1901 faz o seu primeiro veículo motorizado, a Motorette, e em 1904 o primeiro Pierce-Arrow, que foi um êxito pela sua solidez e fiabilidade. A demonstrá-lo, no ano seguinte, um Great Arrow vencia a corrida New York City to Bretton Woods liderando um pelotão de 33 carros, com Percy Pierce ao volante. Mas eis senão quando em 1907 George vende todos os direitos da empresa para falecer 3 anos depois.

Entretanto, os carros da marca de Buffalo, Nova Iorque, tinham vindo a tornar-se um símbolo de luxo e estatuto. O presidente americano Howard Taft encomendou dois Pierce-Arrows em 1909, que se tornariam os primeiros veículos oficiais da presidência, o famoso actor asiático Sessue Hayakawa era conhecido por conduzir um Pierce-Arrow dourado, que muito enfurecia as famílias americanas de então e originou a geração de estereótipos pejorativos para com elementos asiáticos do sexo masculino. Não era por acaso que na época praticamente todas as famílias reais tinham pelo menos um Pierce-Arrow na sua colecção.

Em 1914 foi introduzido na linha de modelos um elemento que viria a tornar-se imagem de marca da Pierce-Arrow: os faróis embutidos nos guarda-lamas. Este elemento dava ao carro um aspecto distinto e imponente, sendo que à noite o carro parecia ainda mais largo. Apercebendo-se do efeito deste elemento, a Pierce-Arrow patenteou este esquema de faróis que conservou até ao fim, mantendo embora como opcional a colocação dos faróis na posição normal, que poucos clientes escolheram.
No entanto, decorrido o ano de 1928, a Studebaker, fabricante de automóveis de South Bend, Indiana, tomou o controlo da Pierce-Arrow e, numa estratégia de tentar cativar um maior número de clientes, alargou a gama de produtos com veículos mais acessíveis. Esta estratégia, no entanto, teve um efeito contrário ao esperado pois não só não atraiu suficientes novos clientes como desiludiu clientes que já tinha. Assim, já não bastava a falta de novos clientes como agora sofria de crise de identidade… bonito.

É então que em 1931 a empresa chama ao seu serviço o novo Vice-Presidente e génio de marketing Roy Faulkner. Como parte da sua nova estratégia a que chamou “Pierce-Arrow Pioneering”, ele foi também um dos primeiros a perceber as vantagens dos “model years”, que resultou na introdução de pequenas alterações nos modelos de 8 e 12 cilindros todos os anos. Em adição, Roy decidiu contratar um novo e talentoso designer, Phillip O. Wright, responsável pelo sensacional desenho do Cord L-29 Roadster de 1929, que se havia tornado um êxito imediato. Aliás, foi no decorrer deste projecto que Phill conheceu Roy (que na altura era presidente da Cord). Em 1932 Phill Wright era o designer-chefe da Pierce-Arrow e um dos seus primeiros trabalhos na marca foi desenhar aquele que é, de longe, o mais icónico modelo do construtor de Buffalo, o Silver Arrow.

A intenção de Roy Faulkner era lançar este modelo em Janeiro de 1933 em Nova Iorque e roubar as atenções na Feira Mundial de Chicago desse ano. Tendo já demonstrado um fascínio por linhas aerodinâmicas no Cord L-29, este modelo devia dar vários passos em frente nesse sentido, anunciando-se como “o carro dos anos 30 para os anos 40”. Montada sobre o convencional chassis de travessas e longarinas do modelo topo-de-gama 1236 com eixos rígidos à frente e atrás estaria uma carroçaria em aço que era impressionante em todos os aspectos, com guarda-lamas dianteiros integrados no design da carroçaria, grelha de radiador fortemente inclinada, guarda-lamas fechados cobrindo integralmente as rodas traseiras e uma traseira descendente que integrava uma estranha (e diminuta) janela traseira vertical dividida. Denotava-se a ausência das pranchas laterais entre os guarda-lamas e as pegas das portas (de abertura oposta) estavam disfarçadas na carroçaria. Todo o conjunto, para além de contar com a intuição de Wright, também foi extensivamente testado em túnel de vento para assegurar a máxima eficiência aerodinâmica.

Debaixo da carroçaria também residiam algumas surpresas: atrás de duas portas nos flancos, atrás dos guarda-lamas dianteiros, residiam escondidas as duas rodas suplentes e a bagageira, ao contrário do que era moda na época, residia inteiramente atrás da porta traseira, sem a presença da grelha de bagageira. No interior, o habitáculo não deixava ficar mal os pergaminhos de luxo e classe que tornaram a marca famosa nos anos 20: os sumptuosos bancos eram estofados a veludo e havia uma separatória entre os bancos traseiros e dianteiros em madeira de plátano envernizada, que incluía um painel de instrumentos próprio – aparentemente para os passageiros se assegurarem que o motorista não desobedecia às leis de trânsito – e uma unidade de rádio própria, com comandos montados no piso.

Sob o capot residia uma unidade V12 própria, com os blocos montados num relativamente ângulo amplo de 80º de forma a permitir montagem de carroçarias baixas. Este bloco de 7566cc era alimentado por dois carburadores Stromberg (um por bloco) alimentados por um único filtro de ar central, que permitiam produzir uns decentes 175cv às 3600rpm e impressionantes 474Nm às 1500rpm! Transmitindo a potência às rodas traseiras através duma caixa manual de 3 velocidades, o pesado Silver Arrow (2314kg) tinha na aerodinâmica o seu trunfo: nesse mesmo ano Ab Jenkins levava um Pierce-Arrow Silver Arrow a Bonneville, onde alcançava 185km/h de velocidade máxima.

Com intuito de ser apenas um mostruário das capacidades da Pierce-Arrow, a marca aceitou mais 4 encomendas para o extraordinário modelo, custando cada um $10.000, uma fortuna que até os mais ricos eram relutantes a pagar por um carro em plena Depressão! O Silver Arrow efectivamente deu um empurrão inicial nas vendas mas foi “sol de pouca dura”. Na Primavera de 1934 a Studebaker abriu falência e um grupo de banqueiros e empresários de Bufallo investiram na empresa. Apostados na fama do Silver Arrow, a empresa apresentou o modelo de 1934 com uma variedade de motores e carroçarias mas que apenas vagamente se assemelhava ao Silver Arrow. Após várias tentativas falhadas de recuperar a empresa da sua anterior glória, os investidores foram obrigados a fechar portas das fábricas em Maio de 1938, ironicamente fazendo com que a marca do “carro dos anos 30 para os anos 40” nunca chegasse efectivamente a ver a luz da nova década.

A miniatura que apresento, representada pela Signature Models à escala 1:18 é a única representação deste fabuloso automóvel nesta escala (a Ixo também o reproduziu mas à escala 1:43). O molde é muito correcto e permite a abertura de todos os compartimentos da carroçaria, incluindo as portas de abertura oposta e o compartimento do pneu suplente. A pintura tem bom aspecto mas, aviso já, é duma extrema fragilidade, qualquer toque mais impetuoso vai causar danos (como é o caso de quando as portas de abertura oposta tocam entre si na charneira). O interior tem um aspecto simples mas bastante correcto, com bancos em borracha mole texturada, só se sente mesmo falta da aplicação de alcatifa no piso do habitáculo, algo incompreensível já que outros modelos da gama a têm aplicada. O motor também tem um aspecto muito bom, com inclusão de elemento em foto-incisão no filtro de ar e cablagem de ignição, só não é compreensível é porque carga de água o motor denota a utilização de 14 velas tratando-se dum V12! No extremo oposto o tubo de escape também não é furado, algo que era tão simples e ficava tão melhor. Especial destaque vai também para as rodas, com excelente aspecto realista.