Bom, agora que o FDC já "ressuscitou" (deve ter feito 3 paragens cardio-respiratórias, um enfarte e 2 embolias antes de regressar ao mundo dos vivos), vamos atravessar o Atlântico e espreitar mais um clássico... só para desenjoar!
Lincoln-Zephyr V-12 Convertible Coupe - 1938 (Signature Models)Em Agosto de 1917, o ex-gerente da Cadillac Henry Leland e seu filho Wilfred Leland formam a Lincoln Motor Company, sendo o nome uma homenagem ao presidente Abraham Lincoln que era o herói de Henry e a quem este tinha deixado um voto em 1864. Começando a vida a construir motores de avião Liberty, após a II Guerra Mundial viraram-se para a construção de automóveis de luxo. No entanto, severos problemas financeiros na transição da fabricação e a oferta de automóveis como os da série L com um design que não era de todo comparável com os concorrentes de segmento, e ao fim de apenas 150 unidades construídas, a Lincoln via-se forçada a declarar falência, tendo então sido comprada pela Ford Motor Company por $8.000.000 a 4 de Fevereiro de 1922.

A compra da Lincoln foi uma vitória pessoal de Henry Ford pois havia sido forçado a sair da sua segunda empresa por um grupo de investidores liderados por Henry Leland, que viria em 1902 a ser nomeada de Cadillac e adquirida pela rival General Motors em 1909. Com a compra, a Ford apostou na Lincoln como a sua marca de topo que entraria em competição com nomes como a Cadillac, Pierce-Arrow, Duesenberg, Packard e Peerless, introduzindo um novo motor V8 a 60º que, para além de produzir uns saudáveis 90cv, graças ao invulgar ângulo de abertura, produzia bem menos vibrações, assim como alterações a nível das carroçarias oferecidas e reduções de preço que resultaram em francos acréscimos de vendas.

A partir de 1923, o filho de Henry, Edsel Ford, tomou a direcção da Lincoln e várias novas variações de carroçaria foram introduzidas, entre sedans,
phaetons, roadsters, limousines, coupés e “town cars”, assim como opções de instalar carroçarias personalizadas realizadas por carroçadores como Fleetwood, Derham, Dietrich, Brunn, Holbrook, LeBaron, Towson, Willoughby, Murphy, Rollston ou Waterhouse.

Entretanto, em 1932, a Lincoln introduzia a plataforma KB com motor V12 e KA com unidade V8 com todo um design com linhas fortemente aerodinâmicas. Seguindo este princípio mas de dimensões mais reduzidas, John Tjaarda e Howard Bonbright desenharam e Eugene Turenne Gregorie reviu o design dum carro que Edsel Ford havia concebido para uma “sub-marca” que viria a ocupar o fosso entre o Lincoln K e o Ford V-8 DeLuxe, que viria a chamar-se Lincoln-Zephyr, em homenagem ao comboio Burlington Silver Streak Zephyr, amplamente considerada a primeira locomotiva aerodinâmica.

Introduzido em Novembro de 1935, o Lincoln-Zephyr era um modelo que seguia o conceito aerodinâmico do “irmão mais velho” K mas levando-o um passo adiante, sendo dos primeiros carros aerodinâmicos de sucesso a seguir ao fracasso do Chrysler Airflow. Com efeito, o Lincoln-Zephyr era até mais aerodinâmico que o Airflow e foi um êxito, só no primeiro ano venderam-se mais de 15.000 Lincoln-Zephyr, mais de 80% de todos os Lincoln vendidos, tanto que a partir de 1941 todos os Lincoln eram base Zephyr e a sub-marca foi descontinuada.

A primeira geração utilizava o compacto V12 a 75º de válvulas laterais com 4375cc que, sendo baseado no motor Ford V8 “flathead” nada tinha a ver com a unidade montada no KB. Alimentado por um único carburador central produzia cerca de 110cv e era propenso a avarias, quer por sobreaquecimento, quer por pressão insuficiente de óleo, mas ainda assim graças à caixa manual de 3 velocidades de engrenagens deslizantes, permitia ao aerodinâmico Lincoln-Zephyr atingir os 140km/h de velocidade máxima. A estrutura era construída num esquema monocoque que tornava o conjunto leve (o carro completo pesava 1520kg) e robusto, sendo as linhas de Tjaarda responsáveis pelo Cx de apenas 0,45. As suspensões, por outro lado, não eram assim tão modernas: contavam com feixes de molas transversais nos dois eixos, um sistema da predilecção de Henry Ford mas já na altura tido como ultrapassado. Os travões eram por tambores às 4 rodas comandados por cabos até 1938, sendo trocados por unidades hidráulicas a partir daí. Em 1938 seriam introduzidas as carroçarias Convertible Sedan e Convertible Coupe, este último o que apresento aqui e seria produzido apenas durante 2 anos.

A miniatura é reproduzida à escala 1:18 pela Signature Models e se, por um lado não é das melhores reproduções da marca, também não é de todo má, antes pelo contrário. Primeiro, chamou-me à atenção a cor, neste caso um branco pérola metalizado à luz do sol produz uma série de nuances (que as fotos não conseguiram mostrar bem) mas cuja solidez é, também como é hábito, bastante reduzida pelo que qualquer raspão ou batida vai lascar a tinta. O molde é bastante correcto e parece-me bem conseguido, com todos os cromados a mimetizarem bem a pose do modelo original. O interior é simples, onde reina o belo volante de 3 braços e o típico tablier Zephyr, com toda a informação para o condutor reunida num único mostrador de dimensões generosas em posição central, bancos suaves ao toque e, agradável surpresa, habitáculo alcatifado. Já a bagageira não teve tanta sorte. Eu achei particularmente interessante a forma como as portas abrem e como o molde foi recortado para a peça rodar na charneira sem danificar a embaladeira, embora as dobradiças sejam algo grandes e bastante visíveis com as portas fechadas. Por fim, saliento a capota de lona que, sendo em plástico, tem uma textura que é muito realista, complementado com uma bela risca vermelha a todo o redor. O motor não é do melhor que já se fez mas tem detalhe q.b.

No cômputo geral é uma boa miniatura que reproduz um carro cujo design sempre admirei. As fotos, especialmente algumas dos interiores, não ficaram totalmente do meu agrado mas as condições de luz naquele dia estavam caóticas por isso... desculpem lá qualquer coisinha!!

