Mais de um mês depois, vamos lá ressuscitar este tópico:
Lamborghini Miura P400 S – 1969 (Bburago)A história do lendário Lamborghini iniciou-se em 1965 quando a cada de Ferruccio tinha apenas 2 anos de idade e estavam a introduzir o seu primeiro modelo, o 350 GT que, como é amplamente conhecido, nasceu do escárnio de Enzo Ferrari quando Ferruccio se queixou de problemas do seu novo Ferrari. Dada a juvenilidade da casa e a necessidade de mostrar as suas capacidades, um conjunto de funcionários entusiastas a incluindo Gian Paolo Dallara, Paolo Stanzani e Bob Wallace construíram inteiramente no seu tempo livre um chassis inteiramente novo e que se mostrava ser radicalmente do clássico
grand turismo 350 GT que a marca comercializava na altura: o chassis em aço era profusamente perfurado para poupar peso e o motor estava colocado na traseira em posição transversal, nada menos que um V12 de 3,9 litros que propulsionava as rodas traseiras.

Como é sabido, Ferruccio Lamborghini não estava virado para produzir carros exóticos sobremotorizados, carros caros e que demoviam a atenção da marca do seu foco principal, motivo pelo qual Dallara teve que convencer Ferruccio a deixá-lo mostrar o chassis rolante que tinham preparado no próximo Salão de Turim, em Dezembro de 1965. Ferruccio eventualmente cedeu em mostrar o novo projecto como ferramenta de marketing. Aquando da apresentação do chassis, o projecto não tinha sequer um nome oficial, quanto mais uma carroçaria… o projecto ficou conhecido como P400, alusivo à cilindrada do bloco e viria a atrair imensa atenção de visitantes e imprensa, que rapidamente se questionaram se seria um novo e radical modelo de estrada ou, por outro lado, o primeiro carro de competição da marca.
Reza a lenda que já após o fecho das portas, e mesmo com a extraordinária recepção que o chassis P400 tinha recebido, Ferruccio mantinha-se decidido a não produzir o carro de motor central quando lhe entra no stand Nuccio Bertone. Este olhou para o chassis de todos os ângulos e, após uma curta conversa com Ferruccio, decidiu que iria desenhar uma carroçaria para o novo Lamborghini. Há rumores que este desenho terá sido em parte inspirado (ou plagiado…) do conceito que Giorgetto Giugiaro havia apresentado à marca 3 anos antes. Mas à imagem do que aconteceu com o 350 GTV, a carroçaria que foi desenhada não tinha espaço suficiente para colocar o motor e, tendo sido concluída apenas dias antes da abertura do Salão de Turim de 1966, não houve tempo para reconceber a unidade e o carro foi simplesmente cheio com lastro, mantendo-se fechado durante toda a exposição.

O resultado final foi um sucesso e Ferruccio acabou por decidir-se a produzir o que então foi baptizado de Miura, como homenagem à raça de touros de lide de Sevilha, criados pela ganadaria dos irmãos Eduardo e Antonio Miura, conhecidos pela sua bravura e astúcia na arena, iniciando aqui a tradição de nomear os Lamborghinis de raças de touros. Apresentada na edição de 1968 do Salão de Turim, a primeira série denominada P400 (P de
Posteriori e 400 alusivos aos 4,0 litros do V12 oriundo do 350 GT) produzia 350cv e veria saírem 275 unidades da linha de montagem antes de ser revisto no seu 2º ano de vida com o P400 S (de
Spinto), com a introdução de um chassis de aço mais espesso (1,0mm contra 0,9mm das primeiras unidades), condutas de admissão 2mm mais largas, câmaras de combustão redesenhadas, duplas árvores de cames à cabeça de perfil mais alto e carburadores maiores aumentaram a potência do bloco V12 de 3939cc para 370cv, permitindo uma velocidade máxima na ordem dos 285km/h e aceleração dos 0 aos 100km/h em 4,5 segundos, tornando-se o carro de estrada mais rápido do Mundo na altura! A caixa manual de 5 velocidades estava montado com o diferencial na mesma unidade que o motor, a única forma de conseguir fazer o bloco caber no pouco espaço disponível. De referir que a Pirelli desenvolveu uns pneus específicos para o P400 S, os 70 Cinturatto, que conferiam melhores capacidades dinâmicas. Também foram introduzidos discos de travão ventilados Girling a meio da vida do P400 S.

Até 1971, ano em que foi substituído pelo “todo-poderoso” P400 SV (Spinto Veloce), foram produzidos 140 P400 S, uma das quais unidades apresento aqui representada à escala 1:18.

Quanto à miniatura é um Bburago e isso essencialmente explica tudo. Não é a pior representação em 1:18 do Miura (esse “galardão” fica para o P400 SV da Anson) mas também não é a melhor, nem mesmo entre as peças
low cost (aí a vantagem vai sem dúvida para o Welly, embora não seja compreensível porque não lhe abriram o capot motor…). O molde é um bocado esquisito, não sendo totalmente incorrecto, com grandes linhas de uniões de metades de painel (nomeadamente os capots dianteiro e traseiro), com uns retrovisores exageradamente grandes e as “ripas” da janela traseira amplamente abauladas e umas jantes totalmente cromadas a estragar o aspecto da miniatura. De resto, o interior é muito rugoso e brilhante, as jantes são (incorrectamente) cromadas e o motor… é das coisas mais simples que pode haver. Mas a miniatura até tem uma ou duas coisas bem conseguidas como o compartimento sob o capot dianteiro ou as redes traseiras perfuradas (Minichamps, ponham os olhos nestas minis de 20€). No cômputo geral, é uma peça que vale pelo carro representado e pouco mais, sendo que esta em especial tem outro valor pois foi-me oferecida por uns bem-intencionados amigos meus pelo meu aniversário em 2013 e só por isso merece por cá ficar!


