Mantenhamo-nos pelo país do Asterix mas vamos dar um salto de mais de 70 anos e mais para os lados de Dieppe:
Renault Clio Sport V6 - 2001 (Universal Hobbies)Em 1998 a Renault decidiu renovar um dos seus modelos
best sellers que já contava com 8 anos no activo e precisava de uma revisão ampla pois, mesmo tendo recebido dois
restylings ao longo da sua vida, era já antiquado quando comparado com a concorrência. Nesta segunda geração o Clio crescia para todos os lados embora mecanicamente fosse semelhante ao antecessor, com a gama de motores baseada em blocos de 4 cilindros com 1,2, 1,4, 1,6 e 2,0 litros a gasolina e 1,9 a gasóleo. O motor 2 litros, obviamente, era reservado ao modelo topo-de-gama, o Renault Sport, com 172cv, dos mais potentes no segmento. Em versões de 3 e 5 portas, a nova geração do Clio foi naturalmente um sucesso, em particular nos mercados da Europa e América do Sul.

Mas as formas mais bolbosas e curvilíneas da 2ª geração tinham por um lado dado um ar mais moderno mas, ao mesmo tempo, mais… feminino! Pelo menos era esse o receio do departamento de marketing da Renault decidiu que no Salão de Paris desse ano devia apresentar um protótipo que conferisse ao Clio um ar mais musculado, mais… masculino! Então o departamento de design da Renault Sport, encabeçado por Axel Breun, decidiu criar um modelo carregado de testosterona inspirado no lendário Renault 5 Turbo: a carroçaria foi dramaticamente alargada, entradas de ar laterais foram escavadas na carroçaria e, sacando fora os bancos traseiros, atiraram um V6 transversal que movia as rodas traseiras. Um Grupo B para o Século XXI, essencialmente. A frente mantinha o ar do Clio RS 172 para ser facilmente identificável.

Para tornar o Clio V6 uma realidade, pouco foi aproveitado do Clio “normal”: embora o habitáculo seja em tudo semelhante ao Clio RS (excepto os pedais em alumínio perfurado e o comando da caixa mais alto), apenas parte da estrutura foi aproveitada e mesmo esta teve que ser significativamente reforçada para acomodar o esforço adicional, resultando num conjunto 300kg mais pesado que o Clio RS 172. A via dianteira foi alargada em 110mm (embora mantendo a geometria McPherson) e a traseira uns avantajados 138mm (aqui a tracção traseira forçou à montagem dum sistema multilink) e, para fazer o V6 caber atrás dos bancos, aumentar a distância entre-eixos em 38mm. Para além de aumentarem as dimensões exteriores, outras também tiveram que crescer: as jantes aumentaram para 17” com pneus Michelin Pilot Sport 205/50ZR17 à frente e 235/45ZR17 e, debaixo destas, os travões também cresceram para discos ventilados nos 4 cantos com 330mm de diâmetro à frente e 300mm atrás.
Mas o que mais “cresceu” foi mesmo a
alma: agarrando no bloco V6 a 60º PSA que nos habituámos a ver no 406, 607 e C5 com 2946cc, a Renault colocou cabeças novas que permitem o aumento da taxa de compressão de 10,9:1 para 11,4:1 e que incluem variador de fase na admissão com 2 modos de funcionamento, condutas de admissão optimizadas, condutas de escape simétricas, volante de baixa inércia, foi incluído um permutador óleo/água para melhorar o arrefecimento do sistema de lubrificação e o regime máximo foi elevado às 7.100rpm, permitindo desta forma ao motor, montado na transversal, alcançar os 230cv às 6.000rpm de potência máxima e 300Nm de binário máximo disponíveis logo às 3750rpm que, canalizando a potência através duma caixa manual de 6 velocidades, permite ao conjunto de 1335kg alcançar os 100km/h em 6,4 segundos e uma velocidade máxima de 235km/h. O consumo médio em condução desportiva rondava os 17l/100km embora em circuito combinado, num ritmo mais calmo, fosse possível alcançar os 11.5l/100km.

O entusiasmo da recepção do público superou todas as espectativas e, após a criação dum troféu monomarca “Sport Trophy”, os dirigentes da Renault deram luz verde à produção no final de 2000 duma série limitada deste coupé bilugar, sendo a produção da responsabilidade da afamada Tom Walkinshaw Racing ou TWR, na sua fábrica Uddevalla, na Suécia, onde se juntavam a estrutura oriunda da fábrica da Renault de Flins, França, a carroçaria produzida pela empresa especializada finlandesa Valmet, o motor construído em Douvrin, França e a caixa da fábrica da Renault de Cléon, França. O
“pocket rocket” renascia nas hostes da marca de Dieppe. Mas foi com desânimo que a imprensa da especialidade veio queixando-se do comportamento pouco entusiasmante do V6 e da teimosa tendência subviradora que o carro apresentava, contra-natura de um tracção traseira como este e uma certa imprecisão do eixo dianteiro, ficando assinalada a constante disponibilidade e suavidade com que este tem em subir de regime. Resta dizer que aquando do lançamento este “brinquedo” custava 10.300 contos, qualquer coisa como 51.500€ na moeda actual, nada barato para um Clio… Felizmente aquando do lançamento da Phase 2, cujo desenvolvimento contou com a ajuda da Porsche, os pecadilhos encontrados foram revistos e a segunda iteração, agora contando com 255cv, era um carro muito mais divertido de conduzir.

Quanto à miniatura, reproduzida pela Universal Hobbies, é uma representação muito digna do pequeno foguete. As proporções são de modo geral correctas, embora se encontrem folgas em praticamente todos os painéis, em particular a bagageira que, no caso do meu, não fecha bem. Todos os elementos da carroçaria estão presentes embora por exemplo os piscas dos guarda-lamas dianteiros sejam apenas pintados, assim como os piscas nos faróis e o emblema do losângulo na dianteira, sem que no entanto tenham mau aspecto. É de assinalar que todas as grelhas são abertas onde devem ser, o espaço da “bagageira” está bem representado com as torres dos amortecedores dianteiros visíveis e o formato do “alveolado” do capot reproduzido no molde. Na traseira, a antes tampa da mala é forrada e deixa ver o compartimento do motor que como o modelo real tem uma “chapeleira” que é removível, deixando ver um motor que, não sendo um poço de detalhe, está correctamente representado. O interior também tem um molde correcto embora não seja alcatifado e os pedais estão pintados numa cor pouco realista. É de assinalar o decalque no tablier do lado do pendura com o símbolo a desaconselhar o uso de cadeira para crianças devido ao airbag. Por fim, o fundo do carro também está agradavelmente representado com todos os elementos mecânicos incluídos.



