Pagani Huayra - 2011 (GTAutos)Embora o Pagani Huayra da Mondo Motors esteja uns pontos acima das suas anteriores criações da marca, o certo é que uma representação destas dum automóvel deste calibre sabe sempre "a pouco". Então, estando as centenas de euros que um AutoArt custa fora de questão, eis senão quando recebo a agradável surpresa que a Welly ia introduzir precisamente o Huayra na sua gama média-alta GTAutos. Sabendo a qualidade e quantidade de detalhe que colocaram no SLS AMG, era certo que esta seria outra peça vencedora.

De entre as combinações de cores que a GTAutos oferecia como opção, a que sempre me chamou mais à atenção foi a que reproduzia o modelo de apresentação presente no Salão de Genebra de 2011, num discreto ma apelativo dourado metalizado com interiores em carbono e cabedal creme. Logo aí nota muito positiva para este GTAutos, já que a cor apresenta um brilho e profundidade que dão no olho assim que se abre a caixa em esferovite. O molde está a meu ver muito correcto e os painéis encaixam bem uns nos outros sem juntas exageradas, sendo os elementos em fibra de carbono ora representados com plástico brilhante texturado (como é o caso do extractor e fundo carenado), ora com decalques com padrão (como é o caso dos retrovisores e moldura dos farolins). Neste campo também é de salientar a abertura das portas e capot-motor (o capot dianteiro não abre por uma questão de corte de custos) com respectivos amortecedores metálicos e, no caso deste último, com um intrincado sistema de dobradiças metálicas com juntas e fixações por parafusos de pequenas dimensões, algo que até em algumas peças de valor mais elevado não é comum encontrar. Outro elemento que é um extra "de luxo" são os 4 spoilers funcionais, que permitem ajustar independentemente o ângulo de incidência, tal como o modelo original.

Outro elemento que tem sido apanágio dos GTAutos são as grelhas totalmente abertas, em metal. Até a pequena grelha no elemento central do extractor, sobre o farol de nevoeiro, e as saídas de ar das portas têm pequenas redes metálicas. A pena é que desta vez a Welly "mandriou" nas saídas e entradas de ar, já que as de saída do capot são tapadas (dos radiadores) ou simplesmente pintadas à cor da carroçaria (abaixo do pára-brisas) e as grandes entradas de ar nos flancos nem sequer de preto estão pintadas. Shame on you!! Para "compensar", há vários elementos em fotoincisão um pouco por toda a carroçaria, desde as assinaturas de Horacio Pagani nos flancos aos letterings "Pagani" e "Huayra" na traseira e acabando no emblema da Pagani no capot dianteiro, são sempre elementos que conferem um grau extra de realismo.

As jantes apresentam um cromado que tem uma textura realista na representação das originais em alumínio e inclui as válvulas dos pneus. Aqui talvez os pneus acabem por ser o "elo mais fraco" pois, embora apresentem os decalques "Pirelli P Zero" como o modelo de apresentação, têm um perfil um tudo-nada alto demais, em particular no eixo dianteiro. Ainda assim, o recorte do piso está correcto na representação do padrão dos pneus originais. Por detrás vêm-se enormes discos de travão perfurados que rodam independentes das pinças douradas mas, embora correctamente os 4 de igual diâmetro, estes estão incorrectamente realizados em metal, uma vez que o Huayra recorre a discos carbo-cerâmicos para se imobilizar, além de no eixo traseiro não se encontrarem as pinças do travão de mão. As suspensões são funcionais e independentes às 4 rodas e, embora de amplitude muito limitada, são de facto reproduzidas em metal no eixo traseiro e oscilam em rótulas para maior realismo.

Ao abrir as belas portas com abertura de asas de gaivota, encontra-se um interior belíssimo. A consola central está cromada de forma a mimetizar o alumínio polido do elemento original e tem representados em relevo os vários botões da mesma, incluindo a famosa chave em forma de Huayra introduzida na ranhura central. Os bancos e piso estão pintados de forma a reproduzir de forma convincente o cabedal do modelo real e tanto a pega do volante como as saídas de ventilação e porta-luvas receberam decalques com padrão de fibra de carbono que conferem uma sensação de detalhe adicional. O mecanismo visível da caixa de velocidades sequencial foi "atalhado", certamente outra opção para não onerar demasiado o modelo, mas ainda assim tentaram reproduzir com o maior detalhe possível a manete e a grelha de selecção. Ao lado de cada banco é também possível encontrar um cinto de segurança em tecido com fivela em fotoincisão para detalhe adicional, assim como as colunas de som atrás dos bancos. Outro pormenor delicioso é a profundidade do painel de instrumentos com "pala" também ela adornada com decalque de fibra de carbono, e do ecrã táctil do sistema de info-entertenimento de bordo. As forras das portas também estão bem reproduzidas, incluindo as pegas em cabedal que são efectivamente abertas e a representação das colunas de som, dos parafusos de fixação das forras e, uma vez mais, decalque de carbono onde é requerido.

Debaixo do capot-motor reside aquele que é, na minha opinião, o elemento mais fraco da peça: o motor. Embora à primeira vista, através do óculo transparente montado no capot, pareça estar decentemente reproduzido, a verdade é que é pouco mais que um alto paralelipipédico no plástico onde assenta o chassis e suspensões, sem qualquer representação de bloco ou até cabeças do motor, já para não falar de linhas de escape. As coberturas douradas dos intercoolers estão correctas mas faltam as sondas de temperatura. Além disso, as caixas de ar abaixo deviam ser carbono e, embora tenham escritas em relevo "AMG", são pintadas em preto mate e, enquanto a do lado do condutor lê "AMG", a do outro lado lê "GMA"...
![DAHH [:dah:]](http://www.forum-diecast.pt/Smileys/FDC/dah.gif)
O sub-chassis traseiro em aço crómio-molibdénio também tem bom aspecto mas não está completo até às suspensões e falta-lhe alguns elementos pintados de dourado. Os braços push-rod também não têm mau aspecto, só os supostos conjuntos mola helicoidal-amortecedor não passam no exame. A salvar o conjunto estão as belas caixas para a bagagem que, além de forradas a decalque de fibra de carbono, têm a agradável surpresa de abrirem!

Posto isto tudo, continuo a acreditar que este GTAutos é a representação com a melhor relação preço/qualidade do mercado, valendo bem o dobro do preço pedido por um Mondo Motors e o Auto Art não oferece 5x mais que este. Como sempre, a questão de valor depende sempre do que cada um está disposto a pagar pelas peças mas ainda assim, quem seja um pouco mais exigente e não queira gastar mais de meio ordenado mínimo no Auto Art, certamente ficará satisfeito com este GTAutos!


